12 de novembro de 2019

[Entrevista] Fractal System @ Kaballah Festival

Fractal System é o projeto do talentoso DJ e produtor brasileiro Lucian Castro, um dos nomes responsáveis pelos labels “Mix Feed” e “Zero Eleven Music”, no último dia 12 nos encontramos no Kaballah Festival, no qual Lucian dividiu o palco com grandes nomes da cena como Croatia Squad, Betoko, Tenage Mutants e outros. Batemos um papo e Lucian aceitou nos ceder uma entrevista exclusiva que você confere agora:

Temos acompanhado muito o seu trabalho e ficamos felizes ao saber que a cena nacional possui um artista do seu nível, suas produções estão cada vez melhores, com uma característica muito marcante! Ficamos honrados em poder fazer essa entrevista com você, seja bem vindo a Wonderland In Rave e vamos ao que interessa hehehe:

Seu projeto teve seu início em 2008 criando uma identidade única em suas músicas, um estilo próprio que vai do House ao Techno. Como foi seu primeiro contato com a música eletrônica, o que te levou a seguir esse caminho da e-music e como foi que você começou a se interessar em produzir suas próprias musicas?

“Meu primeiro contato com a música eletrônica foi por volta dos 5 anos, escutando fitas cassete do meu tio, daqueles flash house 80s, eu não entendia nada mas escutava e gostava muito. Isso ficou marcado em mim, na adolescência comecei a sair para clubs, conhecer de perto a música eletrônica e fomos nos aproximando mais ainda. Meus amigos começaram a tocar, eu achei legal, mas eu queria sempre saber de quem era a música que eles estavam tocando, dessa forma fui direto pra produção e depois comecei a tocar minhas próprias músicas.”

Da onde surgiu a ideia do projeto Fractal System? Sabemos que no inicio começou com uma parceria com o Leandro (Rocksted) e que depois cada um seguiu um caminho diferente, conta pra gente como foi essa trajetória?

“O Leandro é meu amigo de longa data, nós saíamos juntos pra curtir a música, e sempre tivemos o gosto bem parecido, gostávamos dos mesmos djs, das mesmas músicas. Ele baixou um programa pra começar a fazer as músicas e começou a fazer alguns trechos e me mostrar, era bem ruim e engraçado mas já era algo. Começamos a mexer juntos e tivemos a ideia de criar um projeto e fazer as músicas que mais gostávamos de escutar, o electro house, que na época estava aparecendo em São Paulo. Fomos juntos até 2011 e então decidimos parar pois as músicas que gostávamos acabaram sumindo e o que apareceu no lugar foi o “EDM”, um som que nunca nos agradou. Mantivemos nossa amizade como sempre, e decidimos voltar no meio de 2014, porém já tínhamos algumas ideias diferentes sobre o projeto então decidimos que cada um seguiria sua carreira solo, ele criou o projeto Rocksted e eu continuei no Fractal.”

Quando as pessoas começam a produzir e tocar almejam tocar em alguns dos festivais mais renomados nacionalmente e até mundialmente, você teve algum dessas metas em sua carreira? Nos fala mais sobre suas metas ja conquistadas e as que estão por vir ainda.

“Minha meta principal era ser respeitado pelos grandes nomes da e music, ter minhas músicas tocadas por eles, fazer músicas com eles e etc. Posso dizer que consegui, estou muito satisfeito com a aprovação que meu projeto vem tendo. Outra meta era tocar nos maiores eventos de música eletrônica do meu país, hoje graças a Deus já consegui chegar lá, agora pretendo continuar trabalhando pra evoluir cada vez mais e mostrar sempre algo novo para o público. Sobre carreira internacional, já recebi algumas propostas mas quero deixar isso para o próximo ano.”

Sem sombra de dúvidas depois de um tempo afastado das festas você voltou em 2015 quebrando tudo, foram várias gigs nos melhores eventos do Brasil, dentre eles Sunset Festival, Low Session, Green Valley, Soulvision, Kaballah e etc… O que você tem a dizer sobre esse ano? Claro que com todo seu esforço você sempre almejou esses eventos, mas esperava mesmo essa aceitação tão grande?!

“Eu não consigo nem acreditar no momento em que estou vivendo em minha carreia, em apenas 1 ano que voltei e todas essas coisas estão acontecendo de forma surreal, aceitação muito grande do público, dos colegas de profissão, das gravadoras e dos eventos. Eu esperava sim uma certa aceitação, mas fui surpreendido pois foi bem maior.”

Você acabou de fazer uma esplendorosa apresentação no stage ‘’SÓ TRACK BOA’’ do Festival Kaballah, embora o horário não o favorecesse você não desanimou, assumiu as pickups e arrebentou. Não foram precisos 10 minutos para que o palco já tivesse lotado, uma apresentação muito memorável para todos presentes… Como foi tocar nessa edição de 12 anos de um dos maiores festivais de nosso país? Esperava esse feedback fantástico que todos estão comentando após sua apresentação no festival?!

“Esse dia eu nunca vou esquecer, cheguei no festival as 13:00 e vi poucas pessoas na pista, eu me apresentaria as 14:00 e confesso que fiquei um pouco chateado, mas para minha surpresa, faltando 10 minutos para eu começar, a pista começou a encher e a galera que estava nas outras pistas tinham me marcado no line deles, e foi chegando gente sem parar. Enquanto eu tocava eu olhava pra frente e não acreditava como estava perfeito aquele momento, todos curtindo muito numa vibe única. Ficou marcado em minha carreira, toquei em um dos maiores eventos do ano e ainda recebi esse presente maravilhoso do público, que além de estar lá cedo pra conferir o set, ainda curtiram muito e trouxeram um feedback positivo enorme logo após o evento.”

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A cerca de 3 meses você teve um EP lançado por ninguém menos que a big ‘’LouLou Records’’ uma das maiores e mais conceituadas gravadoras do mundo, conta pra gente como foi receber essa noticia e como você reagiu.

“A LouLou Records é uma gravadora respeitada, por trás dela estão Kolombo e Loulou Players, dois djs e produtores com um ótimo feeling. Fazer parte desse time foi importante pra mim, como falei numa questão anterior, eu buscava aprovação de grandes artistas e tive a oportunidade de escutar do Kolombo que sou um dos seus produtores prediletos, escutar isso de um cara que toca em todos os continentes do mundo não é pouca coisa, me deu muita força para continuar a inovar e arriscar em minhas produções.”

Chegou até nossa equipe alguns rumores de que você estaria confirmado na pista low bpm de um dos melhores festivais do Brasil, ‘’Universo Paralello’’ no UP CLUB Stage, é verídico essa noticia?! Se sim, quais são suas expectativas e o que o publico pode esperar nessa super gig, tem alguma coisa em especial em mente?!

“É verdade, pra fechar o ano com chave de DIAMANTE, estou confirmado no verdadeiro UP Club, e vou fazer um set especial com rework inédito das minhas músicas que mais bombaram esse ano. Eu faço questão de encontrar lá toda essa galera que vem me acompanhando por onde passo para comemorarmos juntos esse ano que passou e chamarmos o próximo que será melhor ainda!!!”

Você faz também parte de duas gravadoras sendo elas “Mix Feed” e “Zero Eleven Music”, conte-nos mais sobre elas, a ideia inicial, planos, projetos… além de dono da mix feed, você também é sócio da Zero Eleven Music de um dos maiores produtores do Brasil o Gabe (Gabriel Serrasqueiro), como foi a ideia dessa união entre vocês?

“Sou sócio da Mix Feed junto com o meu amigo russo Denis, trabalhamos com a venda de músicas e também liberando músicas free download, esse ano chegamos a posição de maior network de undeground music no soundcloud, djs do mundo inteiro coletam música com a gente para tocarem em seus sets. Sobre a Zero Eleven Music, é uma label muito respeitada por seus releases inovadores e também por ter grandes talentos dirigindo a gravadora, o primeiro deles, ninguém menos que Gabe, o ídolo da galera, completando o time temos o grande Marcello V.O.R. e Thomaz Krauze. Eu entrei com eles para somar meus conhecimentos com os deles e levarmos a Zero Eleven Music o mais longe que ela pode chegar.”

Com um conhecimento adquirido nas diversas gigs e anos de carreira qual é o recado que você deixa pra galera que ta começando agora e se interessando por produção musical?

“Eu sempre aconselho a estudar, estar ligado nas novas tendências e é claro, tentar inovar. Garanto que é muito mais fácil você chegar longe criando uma identidade na sua música do que copiando ou fazendo o que a maioria faz. Hoje em dia temos o marketing nas redes sociais a favor dos artistas, antigamente quando comecei não existia isso, hoje eu faço uso e acho válido para a carreira, mas aconselho que seja dosado para não parecer um artista artificial com muito marketing e pouco conteúdo. Geralmente nosso trabalho é pouco reconhecido por familiares e pessoas próximas, mas se realmente houver amor no que você faz, poderá ir muito longe e mostrar que é uma profissão tão digna quanto outras.”

Acho que já deu para percebermos que esse sem dúvida foi um ano e tanto para você, conseguiu chegar em patamares muito altos, mas e agora, qual será o próximo passo? Você pensa em ultrapassar barreiras e levar sua música até festivais mais alternativos como Rock In Rio, Lollapalooza e etc… Quais são os projetos para 2016?!

“Sim, sem dúvidas, eu penso em tocar nos festivais onde não são apenas de música eletrônica, acho muito importante para a cena estarmos crescendo cada vez mais e trazendo mais gente pra nossa música. Ficar tocando apenas em locais onde todos já sabem quem está tocando e o que está tocando é muito legal, mas precisamos também mostrar a música eletrônica onde ela não chega. Um exemplo disso, é a festa do “pó colorido” que muitos falam mal, eu particularmente acho interessante, alguns anos atrás aqueles jovens de 15 a 18 anos estavam em micaretas, hoje estão escutando música eletrônica, pode ser muito bom para o futuro da cena esse contato que essa galera vem tendo com a música eletrônica desde mais cedo.”

Muito obrigado por ter reservado um tempo para nós da WiR, torcemos muito para seu sucesso e que continue sendo essa pessoa simpática e humilde que conhecemos.

Confira aqui todas as faixas do Fractal System:

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