23 de julho de 2017
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Caminhando do Trap ao Funk, Iccarus está se tornando um dos maiores nomes da Bass Music

Paulista, 24 anos, DJ e produtor de música eletrônica, Renan Soares é o nome por trás do trás do projeto Iccarus. Com produções próprias, remixes e sets que passeiam pelas vertentes da Bass Music (Trap, Twerk, Dubstep, Future Bass), Iccarus vem se destacando na cena brasileira com sua versatilidade musical e sonoridade.

Depois de emplacar o seu hit “Hora do Show” em primeiro lugar no Top 50 viral Brasil do Spotify por 15 dias consecutivos e lançar seu remix oficial para “Strike It Up” de FTampa, assinou uma collab com o carioca Ruxell intitulada “Strngr Thngs“, que vem sendo aclamada e elogiada por produtores e DJs de toda a cena eletrônica e recebendo suporte de artistas internacionais como Awoltalk e Flosstradamus.

Conversamos com ele para saber mais sobre sua carreira, trabalho, projetos e futuro, você confere tudo com detalhes, a seguir :

 WiR: Quais foram seus primeiros passos na carreira de Produtor/ DJ? Como tudo começou?

Iccarus: Eu comecei produzindo na verdade, só depois de dois anos que eu comecei a tocar. A vontade louca veio depois que eu fui em um show do Skrillex, na Anzu, foi o primeiro show dele aqui no Brasil, antes do Lollapalooza de 2012. Pensei comigo, ‘se esse cara fez tudo isso em um laptop e hoje eu estou aqui pra vê-lo e tudo isso está acontecendo ao redor, eu também posso fazer o mesmo’, foi aí que comecei a ver tutoriais na internet, me familiarizar com os daws de produção – atualmente eu utilizo o Ableton – e arriscar compor algumas coisas, comecei como a grande maioria mesmo.

 WiR: Quais são seus pontos fortes como artista?

Iccarus: Versatilidade é uma palavra boa, gosto dela. Faz tempo que deixei de produzir o que os outros esperam, quando as pessoas escutam uma música minha ou um set meu eu estou sendo 100% honesto com a minha criatividade, eu não limito minha arte, eu me permito viajar entre elementos e influências de todos os tipos, gosto de surpreender meu público, gosto quando eles acham que vão ouvir algo e eu apresento outra coisa, prendendo a atenção deles quase que instantaneamente. Num ponto de vista mais técnico, posso citar minha mix/master, ainda não cheguei no mundo ideal, aquele que eu almejo, mas creio que estou no caminho certo, minhas músicas no Spotify, por exemplo, trazem uma sensação à mais, tento explorar as maravilhas que o stereo pode proporcionar.

 WiR: Qual seu maior sonho como Produtor/ DJ?

Iccarus: O sonho de qualquer produtor é ser reconhecido pela sua música, nada muito fora do comum, na verdade todos buscamos reconhecimento pelas coisas boas que fazemos. Mas eu tenho um objetivo que eu tracei que tem me guiado durante a minha trajetória e que eu considero como o ponto para definir que eu estou chegando perto de concretizar todos os meus sonhos, que é me apresentar em um grande festival, como o Lollapalooza. Acho que tem a ver com o fato de que muita gente descobre artistas nesses festivais, é uma vitrine muito boa para qualquer artista, e os seus fãs que já conheciam você também vão ficar muito satisfeitos de dividir esse momento e essa deve ser uma sensação muito foda, quero experimentar isso um dia.

WiR: O que você costuma ouvir nas horas vagas?

Iccarus: Iccarus: Costumo ouvir de tudo e às vezes não ouvir nada. Não sou apegado a gêneros, claro que tenho minhas influências favoritas, que vão de Flume a Blink 182. Mas até a ambiência do hospital onde minha mãe estava internada serviu de inspiração e de base para uma música, a ‘I quit’. A música está em todo lugar, basta você fechar seus olhos, acalmar seu coração e sentir.

WiR: Quais são suas influências?

Iccarus: Como falei ali antes, ouço de Flume a Foo Fighters, Skrillex a System Of A Down, passando por Bezerra da Silva e Cartola, ouço de tudo realmente. Curto muito Daft Punk, NGHTMRE, RL Grime, Madeon e pesquiso muito, porque a todo momento surge uma sonoridade diferente, um timbre que me pega ou uma composição que me intriga. Gosto de saber como fizeram aquilo e aí vou atrás feito louco, depois utilizo tudo que aprendi nas minhas próprias produções.

WiR: Sua tracks possuem uma qualidade e mix/master realmente incrível, como chegou a esse nível ?

Iccarus: Estudando mesmo, sempre me interessei muito por acústica e engenharia de áudio, estudei muito por conta própria mix e master e com o tempo eu fui desenvolvendo essa técnica e fortalecendo minhas habilidades nessa área. Já fiz muita mix e master para alguns amigos e outros artistas, sair da teoria e por a mão na massa me ajudou muito, treino eu diria. Ah, precisa gostar também, assim você mesmo vai querer se superar o tempo todo, você se torna o maior crítico do seu trabalho.

WiR: Dentre suas tracks a “Strngr Thngs” com Ruxell foi uma verdadeiro sucesso, como surgiu a ideia de trabalhar nela?

Iccarus: Como o próprio nome da track já faz a referência, a ideia surgiu baseada na trilha sonora da série da Netflix, eu brisei muito no conceito como um todo, em um certo momento simplesmente sentei e fiz a melodia do arpejo, depois de um tempo, eu retomei o projeto e montei com a música por cima, refiz a harmonia, montei algo novo, aí eu mandei para o Ruxell, que é também um grande amigo meu e estávamos falando sobre a série, ele curtiu a ideia de trabalhar em algo em cima da trilha sonora da série, aí eu só lancei o convite e ele aceitou, o Ruxell acrescentou um elemento chave para a música, algo que estava faltando mesmo e que completou o projeto, ficamos muito satisfeitos com o resultado e a repercussão da música.

WiR: Recentemente foram lançados dois EPs, Debut Reboot e Distance que são completamente diferentes, como foi trabalhar neles?

Iccarus: Eu gosto de surpreender as pessoas, essa coisa de elas nunca sabem o que vão ouvir de mim é muito daora. O Debut Reboot foi um EP totalmente livre, onde eu pude viajar mais dentro do universo do Trap. Ele foi um EP que veio depois da minha pausa, possui esse nome porque significou um relançamento, um EP que eu fiz para voltar, escolhi o Trap e fui para um lado mais experimental do som, sem me apegar aos padrões do próprio estilo.

Já o Distance foi um EP que eu já vinha trabalhando nele há muito tempo, coisa de anos. Ele é totalmente sentimental, as coisas foram acontecendo e eu fui despejando ali nas músicas, uma grande carga emocional que eu tinha e foi o jeito que eu achei de por pra fora, de me expressar e aliviar tudo isso. Seguiu uma outra abordagem de produção, não foi livre, foi seguindo a emoção de certos acontecimentos, com o tempo eu fui só refinando as músicas por isso demorou tanto para ficar pronto.

WiR: Quais são suas Tracks favoritas?

Iccarus: A “Strngr Thngs”, de fato. Foi a primeira vez que eu tive apoio de um artista internacional, o Flosstradamus tocou 2 vezes, ele finalizou seus sets no halloween do ano passado com essa música, tenho muito carinho por ela. Já o meu remix de “Deu Onda” foi responsável por popularizar o meu trabalho, muitos outros produtores me conheceram por esse remix, me elogiaram demais e eu fiquei muito feliz com isso.

A Anxiety, que foi a música que eu mais gostei de produzir até hoje, também está entre elas, mas justamente por refletir a minha carga emocional, coloquei muito sentimento nessa música e foi a que mais gostei do resultado final, tudo mesmo, como qualidade, timbre, ideia, o pacote completo, ela me agradou demais.

WiR: Quais os planos para o segundo semestre 2017?

Iccarus: Tenho um grande desafio pela frente, neste segundo semestre vou passar uma temporada em Lisboa, Portugal, estou indo para lá para produzir alguns artistas do pop de Portugal, aproveitar o momento e a localização para divulgar meu trabalho na Europa e vou dar continuidade no meu outro projeto, o Pratta, uma banda de música eletrônica que eu faço parte, acabei conhecendo essa galera, tivemos a ideia e começamos a trabalhar no projeto, todos juntos. Vou usar esse tempo para finalizar minhas músicas originais, já que sou bem conhecido por remixes, vou aproveitar para me dedicar mais as produções originais.

WiR: Sobre seu tempo em Portugal o que pretende trazer de novo? 

Iccarus: Pretendo trazer as influências que eu terei lá, muita música nova com cantores de lá, que eu já conheci, que compõem e cantam muito bem em português e inglês. Com a chegada do meu projeto Pratta, eu me sinto mais livre para ser eu mesmo através do Iccarus, um projeto mais íntimo mesmo, trabalhar mais no estilo do Distance EP, explorar um outro lado da minha música como produtor.

WiR: Como está sendo o resto dos seus dias aqui e o que essa viagem vai afetar na sua carreira no Brasil?

Iccarus: Está sendo legal demais, estou fazendo uma turnê de despedida, conversei com alguns contratantes, estamos tentando rodar o máximo que possível aqui pelo Brasil, antes de ir embora. O carinho do público desejando boa sorte e tudo mais é sensacional. Minha viagem não vai afetar em nada, só vou mudar meu QG para Lisboa, pra facilitar o meu envolvimento com os artistas de lá, mas a carreira no Brasil continua a mil. Meu público aqui no Brasil é ótimo e eu quero continuar tendo essa relação com a galera e poder espalhar meu trabalho pelo mundo, sem esquecer de casa, é claro.

WiR: Existe alguma track ou Collab prestes a sair?

Iccarus: Em breve terá uma Collab com o Pep, do Rio de Janeiro, com os vocais do MC Tarapi e mais pra frente um EP, se tudo der certo ainda esse ano. Tem também meu bootleg do Major Lazer com a Anitta e o Pabllo Vittar, que acabei de liberar e já prometi uma versão da K.O. também, preparem-se!

WiR: Existe alguma novidade em primeira mão que gostaria de dar para nós?

Iccarus: Estou produzindo um single com uma cantora brasileira, é uma original, a gente compôs a letra e a melodia em uma noite, eu toquei no violão e ela foi construindo os versos, é uma música numa pegada mais radiofônica, eu estou gostando bastante da experiência e deve sair em breve. Além desse single, alguns outros remixes de música pop e o que der vontade mesmo. Além disso, com os artistas portugueses deve surgi algo até o fim do ano.

WiR: Deseja deixar algum recado pra galera ? 

Iccarus: Queria agradecer a todo mundo que tem me apoiado, que curte o meu som, minhas apresentações, espero continuar correspondendo todo esse carinho e confiança que depositam em mim, obrigado WiR pelo espaço também, até a próxima!

 

 

 

Sobre Claudio Ferreira

Paulista, 20 anos, amante da música eletrônica e suas demais vertentes. Cursando produção musical na Make Music Now.

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