Entrevista: Leandro Reinaux, CEO da Even3 fala sobre os eventos online

Durante a pandemia da COVID-19, o setor de eventos teve uma baixa muito grande com as restrições impostas para conter o avanço do virus. O setor de eventos é responsável por movimentar 13% no PIB brasileiro, deixando de faturar R$ 90 bilhões, além de deixar 450 mil pessoas desempregadas, segundo a Abrape (Associação Brasileira de Promotores de Eventos).
Uma alternativa buscada pelo setor de eventos foi a entrada no mercado online de eventos. Durante esse período, os serviços de transmissões ao vivo ou gravadas tiveram um grande aumento na sua demanda, tendo um crescimento de 400% no último ano, segundo a Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta). Além de estimular o mercado, esse formato de eventos online deve permanecer utilizando esse modelo mesmo com a flexibilização e com a volta gradual das ativações presenciais, uma vez que os eventos online demandam menos tempo de organização e baixo investimento.
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Em entrevista, Leandro Reinaux, CEO da Even3 e especialista em eventos online, fala um pouco sobre esse mercado, quais as principais tendências do setor e quais serão as expectativas do mercado para os próximos anos. Confira!

WiR: Antes da pandemia, qual era o principal segmento no setor de eventos online?

Leandro Reinaux: “Era algo que praticamente não existia antes da pandemia, alguns poucos setores ou eventos já realizavam no formato online, dado que o principal ponto dos eventos sempre foi atrelado além do conteúdo a experiência, o networking e também turismo, dependendo do caso. Antes da pandemia a gente tinha apenas 1 cliente que já fazia eventos no formato online, brincamos que ele era o visionário. Durante a pandemia todos tiveram que se adaptar a essa nova realidade.”

WiR: Durante a pandemia, dentre os ramos do setor de eventos, qual se adequou mais rapidamente aos eventos online?

Leandro Reinaux: “Não diria que um setor mas que os pequenos e médios eventos conseguiram se adaptar mais rapidamente, migrar um evento que recebe até 100 pessoas foi um pouco mais simples de se adaptar por exemplo. Porém um grande evento com mais de 1000 pessoas por exemplo, também tem desafios no online que é necessário entender bem das ferramentas e formatos, para oferecer uma boa experiência aos participantes. Os setores de eventos mais técnicos focados em conhecimentos também tiveram uma adaptação melhor, como congressos, simpósios, workshops, encontros profissionais, já que um ponto principal desse tipo de evento é difundir o conhecimento, no formato online você tem grandes vantagens de atingir um público ainda maior que no presencial.”

WiR: Nos Estados Unidos e Europa, muitos eventos aderiram ao formato online durante a pandemia, como foi o caso do EDC e da Tomorrowland. Porém a Tomorrowland aderiu a um formato pago e o EDC a um evento totalmente grátis. Você acredita que esse formato virtual de festival ainda poderá ser realizado pós pandemia?

Leandro Reinaux: “Os eventos de entretenimento tem um desafio maior quanto ao online, já que tem um peso muito grande a experiência de participar e vivenciar tudo que acontece no evento. De qualquer forma acredito que haverá espaço para transmitir online os eventos presenciais, para as pessoas que não puderem participar do evento. Vejo um cenário futuro com espaço para os eventos híbridos, que terá o melhor do presencial e do online. Quanto aos eventos online gratuitos e pagos, tendo um conteúdo muito bom e as tecnologias corretas é possível sim fazer eventos online pagos de sucesso, tivemos vários casos nos últimos meses e vemos essa crescente. Conteúdos e acessos exclusivos, programações exclusivas e workshops, são alguns dos formatos que funcionam muito bem de forma paga no online.”

WiR: Você acha que festivais que sempre transmitiram de forma simultânea os seus shows online, como Tomorrowland e Ultra Music Festival, poderiam adotar uma transmissão paga, tendo em vista essa alta de eventos online?

Leandro Reinaux: “Sim, cabe perfeitamente a cobrança de festivais online, desde que haja uma exclusividade, interatividade com o público, inovação e segurança online. A vantagem do online é permitir às pessoas acompanharem conteúdos, que não conseguiriam presencialmente, além de permitir novos formatos e conteúdos. Existe bastante espaço para inovação, é um mercado muito novo quanto a esse formato.”

WiR: Quais as plataformas mais procuradas para se realizar um evento online?

Leandro Reinaux: “Existem diversos desafios que os organizadores de eventos buscam resolver no online e conseguimos trabalhar em várias delas. Soluções de software de transmissão de conteúdo, emissão de certificado, organização da programação em vários formatos, áreas de interatividade entre participantes e com palestrantes, estandes virtuais.”

WiR: Como as novas tecnologias tendem a favorecer esse mercado?

Leandro Reinaux: “A tecnologia e inovação favorece todos os mercados e não é diferente no setor de eventos, permite fazer eventos mais acessíveis, pro mundo inteiro, mais eficientes, com menor custo e traz várias inovações. A situação difícil da pandemia fez acelerar ainda mais o desenvolvimento dessas inovações e possibilidades.”

WiR: O que esperar dos eventos online no Brasil até o fim das restrições da covid-19?

Leandro Reinaux: “Os eventos online devem permanecer em crescimento, muitas empresas ainda estão entendendo o potencial e as vantagens do formato. O presencial irá voltar, mas haverá espaço e demanda para todos os formatos, eventos online, híbridos e presenciais. O importante será entender cada aspecto, vantagem de cada formato e como se adequa a seu público.”

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