Entrevista: Tessuto revela planos da Carlos Capslock, representatividade e mais

Por: Gabriel Zanucci

Responsável pela criação do Carlos Capslock, festa itinerante que ajudou a moldar toda uma geração de clubbers e festas paulistanas, Tessuto é um dos grandes nomes do techno nacional. Com 11 anos de carreira, um estilo expressivo, o DJ é capaz de proporcionar sets cheios de energia e vida.

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Durante o DGTL São Paulo 2022, a Wonderland In Rave teve a oportunidade de bater um papo com o artista sobre os planos para o futuro da festa Carlos Capslock, representatividade e de como a música tem força política

Tessuto durante apresentação no Time Warp 2019. Foto: Reprodução/Facebook.

WiR: Olá, Paulo. Antes de iniciarmos esta conversa, gostaríamos de elogiar a apresentação que você fez há pouco. Nós ficamos animados com o que vimos, você trouxe uma sonoridade diferente e inesperada, curtimos muito o set e deu para ver que a pista também.

Tessuto: “Fico muito feliz que vocês tenham curtido”.

WiR: Curtimos muito. Bom, com o retorno dos eventos em capacidade máxima, quais são os planos para esta nova fase da Capslock? Vocês pensam em levar a festa para novas locações?

Tessuto: “Sim, a gente pensa sim. Mas primeiro, precisamos fazer o trabalho de encontrar essas novas locações. É um trabalho muito difícil, porque às vezes você demora meses e meses procurando e quando você encontra, ainda sim, algumas coisas podem dar errado. É difícil, mas seria muito legal ter novos lugares em São Paulo, né? Mas eu recebo muitos feedbacks legais da Fabriketa, por ser céu aberto e com uma beleza arquitetônica e que traz a história da cidade”.

WiR: Sim, nós já presenciamos e de fato, é muito bonito. Além disso, os line ups da Capslock surpreendem pela variedade de sonoridades e artistas convidados. Pode nos contar o que você visa durante o processo de curadoria e quais são os requisitos para um artista ser convidado para tocar nos eventos?

Tessuto: “A Capslock costuma ter uma programação que vai evoluindo durante a noite. Começamos com um som mais leve, depois mais pesado, progressivo. Então, ficamos de olho nos artistas de vários estados e de São Paulo, pessoas que têm menos projeção, mas que mandam muito bem. Nos próximos semestres, vamos focar bastante em atrações internacionais”.

WiR: Nós vemos o quanto você e a Capslock estão engajados com relação a representatividade, causas sociais e política. Como você vê a conexão entre a música e a política?

Tessuto: “A evolução sempre foi relacionada à dança. Ir a um evento se torna um ato político, porque você reúne várias pessoas de várias realidades diferentes. Estar neste ambiente, juntos e com o mesmo propósito, pode proporcionar conversas com pessoas das quais não teríamos com pessoas do nosso círculo. Então, eu vejo isso como uma base mesmo do movimento. Até pelo surgimento da música eletrônica, nas festas em Nova Iorque, no final dos anos 80 e início dos 90, a questão social que envolvia tudo isso, faz parte do DNA da música eletrônica”.

WiR: Sensacional. Música é política, elas andam juntas. A festa é um ambiente extremamente democrático, todo mundo na pista de dança e consegue compartilhar as experiências uns com os outros, isso é muito legal e sai da bolha. A Capslock faz isso e traz visibilidade para muitas pessoas. Outro ponto que observamos em você é seu estilo marcante e expressivo. Como você definiria esse estilo?

Tessuto: “Sabe a Cyberpunk Tropical? (risos)”.

WiR: Perfeito! Depois desses dois anos de espera, a sua oportunidade de tocar no DGTL, enfim, chegou. Qual foi a sensação de tocar neste festival que reúne tantas referências da cena da música eletrônica?

Tessuto: “Foi incrível. A galera tava respondendo muito bem, a pista estava com uma iluminação muito legal, com um clima bem denso. Eu acabei tocando sons mais pesados, que achei que combinavam mais com a proposta da pista. O DGTL era um dos grandes festivais que eu ainda não tinha tocado, depois que esses internacionais começaram a vir para o Brasil, então foi uma realização”.

WiR: Nós curtimos muito a apresentação e ficamos boquiabertos durante todo o set, confesso que estava até usando aplicativo para pegar as tracks (risos). Para finalizar, você pode nos dizer três artistas nacionais para as pessoas ficarem de olho?

Tessuto: “Afss, Kysia e Belisa Murta”.

Vitor Gianluca tem 24 anos e é formado em Comunicação Social - Jornalismo, pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC). Conheceu a música eletrônica nos "antigos" CD's Summer Eletrohits e hoje escreve para a Wonderland In Rave.