Falta pouco para o Lollapalooza Brasil, e, entre os nomes que vêm ganhando cada vez mais destaque na cena eletrônica nacional, Analu se consolida como uma das artistas em ascensão para ficar de olho nesta edição.
Nesta entrevista,a dj e produtora fala sobre a expectativa para subir ao palco Perry, o processo criativo por trás de seus sets e produções, o significado de seu novo lançamento e a importância da representatividade feminina em grandes festivais.
Wonderland In Rave: É um prazer falar com você. Para começar, gostaria de parabenizá-la por estar no line-up do Lollapalooza Brasil. Como estão as suas expectativas para se apresentar no palco do festival?
Analu: Poxa, muito obrigada, de verdade. Com certeza, é a realização de um sonho. Desde que recebi a notícia de que tocaria no Lolla, eu demorei para acreditar, na verdade a ficha só caiu quando vi meu nome no line-up no post do Instagram. A partir daí, comecei a visualizar tudo o que queria levar para esse dia. Fui desenvolvendo várias ideias, pensando em músicas, produzindo, fazendo uma curadoria de faixas que dialogassem entre si. Acho que tudo parte dessas pequenas ideias, e agora, com a data se aproximando, estou lapidando cada detalhe.
Wonderland In Rave: Este também é o mês do seu próximo lançamento, “I Don’t Want You”, pela Motrax.
Analu: Esse lançamento é muito significativo para mim, tanto profissional quanto pessoalmente. O Mochakk foi um dos primeiros DJs brasileiros que vi demonstrar uma paixão genuína pela música. Não era apenas sobre tocar, mas sobre estudar, compartilhar referências, como quando ele fazia lives durante a pandemia falando sobre Ed Motta e Michael Jackson. Isso me marcou muito. Depois, ele ganhou grande projeção, e isso certamente me deu mais motivação para seguir na carreira. Então, quando recebi o convite para enviar demos para a gravadora, encarei como uma oportunidade que eu realmente queria conquistar.
Wonderland In Rave: Um aspecto que chama atenção no seu trabalho é a sensação de autenticidade, como se você priorizasse suas convicções artísticas, mesmo em um cenário onde muitos seguem fórmulas prontas. Você tem essa percepção?
Analu: Fico feliz que isso transpareça. Comecei muito nova, aos 15 anos, em um projeto com meu irmão, e hoje estou com 23, prestes a completar 24. Nesse período, surgiram muitas oportunidades, mas também muita pressão para seguir caminhos mais “formatados”. Com o tempo, amadureci e entendi que isso não corresponde ao que quero para a minha vida. Quando iniciei meu projeto solo, ficou muito claro que a música precisaria vir em primeiro lugar. Obviamente todo mundo quer fazer sucesso, mas é importante refletir a que custo. Para mim, abrir mão da integridade artística e do bem-estar não vale a pena. Acredito que tenho algo a oferecer e faço questão de persistir nisso para alcançar o maior número de pessoas possível.
Wonderland In Rave: Nos últimos line-ups do Lollapalooza Brasil, é possível identificar um crescimento significativo da presença feminina no palco Perry. Considerando o dia da sua apresentação, essa representatividade é ainda maior. Qual a importância desse movimento e seu impacto para quem está começando na cena?
Analu: Acho que ainda não tive tempo de internalizar completamente esse momento, mas reconheço que, no início da minha trajetória, enfrentei dificuldades para encontrar referências femininas sólidas. Existiam algumas artistas, mas eram poucas em espaços de grande visibilidade. Por isso, estar hoje em um festival dessa dimensão, no Lolla, por exemplo, temos também a presença da Idilibra, ampliando essa diversidade, não apenas com mulheres cis, como eu e Flavia Durante, mas também com mulheres trans. Ainda é um processo em evolução, mas já é um avanço muito importante. Poder servir de referência para outras meninas, que podem se identificar e enxergar esse caminho como possível, é algo extremamente gratificante.
Wonderland In Rave: Você teve contato com a música desde a infância. Como isso influencia o seu processo criativo atualmente? Existe uma conexão direta?
Analu: Essa é uma ótima pergunta, porque ainda reflito bastante sobre isso. Ter vindo da música mais tradicional pode ser, ao mesmo tempo, positivo e desafiador. Na música eletrônica, elementos como teoria e harmonia nem sempre são centrais, muitas vezes o foco está no groove e no timbre. No início, eu tendia a compor com mais melodias e acordes, mas percebi que isso nem sempre dialogava com o que eu queria tocar ou com o que via na cena. Com o tempo, fui encontrando um equilíbrio. Hoje, consigo unir essas duas vertentes: manter um groove forte, mas também explorar melodias e harmonias interessantes. Passei a deixar esse processo mais natural, sem tanta pressão.
Wonderland In Rave: Para finalizar, que mensagem você deixaria para quem ainda está decidindo se vai ao Lollapalooza ou para quem pretende assistir ao seu set?
Analu: Acho que temos uma oportunidade muito especial de ter um festival desse porte no Brasil, com um dos melhores line-ups que já acompanhei. Para quem quer conhecer música de uma forma diferente, é um ambiente perfeito. No palco Perry, estarei ao lado de artistas incríveis, e será muito especial dividir esse momento com o público. Espero ver todo mundo lá.
