O Brazilian Storm alcançou o techno melódico?

Se você é adepto da Música Eletrônica, você já ouviu falar do termo Brazilian Storm, primeiramente usado em 2011 pela imprensa americana para se referir à nova geração de surfistas brasileiros que se destacaram no cenário mundial. Em nossa cena esse termo é utilizado para destacar os DJ’s da nova geração de House e Tech-house que vem ganhando destaque no mercado mundial, como os artistas Gabe, Mochakk, Classmatic, Brisotti e muitos outros que estão lançando pelas maiores labels do mundo dentro do estilo, com apresentações nas festas e festivais ao redor do mundo e recendo suporte das referências no gênero.

Porém, e no Melodic Techno?

Com a alta do gênero ao redor do mundo, observa-se também uma alta no Brasil. Fato é que o nosso país sempre teve artistas do gênero, porém, desta vez nota-se um grande número de novos artistas que estão tendo suporte de outros grandes nomes do Melodic Techno ao redor do mundo.

Para o DJ e produtor Pacs De 1 ano pra cá, posso dizer que tivemos no Brasil uma ascensão bem forte de estilos considerados mais “under”, como o Afro/Organic House e, principalmente, o Melodic Techno. Esse último, com certeza influenciado pelos shows audiovisuais da Afterlife, que hoje é, talvez, a label party mais hypada do momento a nível mundial. O que eles fizeram foi genial, eles conseguiram criar, com o auxílio de um audiovisual imersivo, a fórmula perfeita para atrair até a galera que não consome esse estilo, e que quando conhecem a festa, acabam descobrindo uma nova paixão.”

Talvez podemos considerar que o duo Binaryh seja o nome do momento durante essa alta do gênero no Brasil, apesar de que, sempre tivemos DJ’s nacionais, como Gui Boratto, que flutuava no melódico durante a sua carreira, e Anna que, inclusive foi a primeira artista Brasileira a lançar pela Afterlife.

Apesar de termos vários outros DJs brasileiros que se aventuram no gênero, Binaryh se destacou com o suportes de diversos artistas do gênero como Tale Of Us, Kevin De Vries, ARTBAT, Mind Against, Massano, KAS:ST e muitos outros, além disso, o trabalho do duo é tão bom que conseguiram suporte de DJs fora do segmento, tais como David Guetta, Tiësto e Markus Schulz. O Duo ainda está por trás do selo KØNTACT, que tem grande foco no gênero e, além disso, conta com uma gravadora do gênero, ao lado de Blancah.

Ainda se falando em Blancah, seria impossível não mencionar a DJ e produtora que, já em 2014, produzia o gênero no Brasil e já tocava ao redor do mundo. Em suas produções, Blancah utiliza os próprios vocais e melodias marcantes, o que contribuiu para conquistar DJs como Hernan Cattaneo, Dubfire, Tale Of Us, Agents of Time, Lane 8 e muitos outros. Blancah se apresentou em países como Berlim, México, Argentina, Líbia, Emirados Árabes, Egito, Porto Rico e etc.

Voltando para a Afterlife, a gravadora tem um papel muito importante na propagação do gênero no Brasil e no mundo. Podemos dizer que a gravadora contribuiu para disseminar o Techno Melódico em dois aspectos. O primeiro foi a curadoria da gravadora, que conseguiu reunir artistas extremamente talentosos e fiéis ao gênero. O segundo ponto foram as festas da label com uma produção audiovisual que viralizou no mundo todo, contribuindo com a disseminação do gênero.

Hoje vivemos uma boa fase no Melodic Techno no Brasil. Significa muito a Afterlife ser um dos pouquíssimos eventos brasileiros a ter sold-out tão rápido como foi, mas acredito que ainda estamos prestes a vivenciar a verdadeira explosão do Melodic Techno na cena. Todo esse hype que a Afterlife e outras grandes labels estão trabalhando a nível mundial, somado à ótima safra de produtores brasileiros que temos hoje que estão obtendo suportes de big names representantes do estilo, me dá a certeza de que o melhor ainda está por vir.” – relata Pacs.

Na edição deste ano, diferente do ano passado, algo que chamou muita atenção, foi o grande número de suportes para DJs nacionais, sendo que, muitos deles, ainda estão no início de sua carreira. Blancah e Binaryh são exemplos de DJs de carreira sólida com suportes de Tale Of Us nesta edição, além de terem se apresentado no festival. Quanto aos DJs emergentes, podemos citar Pacs e Bigfett, que além de receberem suporte, estavam na pista do evento como espectadores.

Bigfett é um artista que, apesar de novo, já conquistou atenção de DJs como Tale Of Us, Kevin De Vries, Innellea, Agents Of Time, Camelphat, Cassian, Mathame, Tiësto e Vintage Culture. Este ano, o DJ e produtor se apresentou na MOTTUS, festa de techno da M-S Live, ao lado de Mathame, Patrice Baumel, Booka Shade e Østil.

Pacs teve um grande suporte na Afterlife, os anfitriões Tale Of Us tocaram uma track sua ainda não lançada. “Foi realmente indescritível. Significou muito para mim esse suporte ter acontecido no meu país, comigo no front, e no maior evento do gênero. Foi uma grande surpresa quando reconheci um elemento da minha música no meio da mixagem. Nesse momento só me passava pela cabeça que finalmente tinha atingido uma das minhas maiores metas.”, conta Pacs. Além do suporte do duo italiano, Pacs já caiu nas graças de DJs como Kevin De Vries, Vintage Culture, Armin Van Buuren, Meduza e, recentemente, publicou em seu Instagram um remix com Korolova.

Além de Pacs, Bigfett, Blancah e Binaryh, outros DJs também receberam suporte no evento, Silver Panda, Fernandez, Fabian B., Mariz e Sensitive também entraram para este seleto time de suportes, o que mostra a força dos DJs e produtores nacionais no gênero. Outro ponto que podemos destacar é que percebe-se o grande crescimento do segmento do Melodic Techno no Brasil, com cada vez mais produtores e festas no gênero.

Apesar desse hype Brasileiro, Pacs acredita que podemos fortalecer essa cena no Brasil: “Eu acredito que a chave é a união. O sentimento de querer ver a vitória e a conquista do outro é super importante para que possamos criar uma rede de apoio mútuo entre os artistas brasileiros e também do público. No Brasil, a cena do Techno e até da própria música eletrônica como um todo ainda é bem nichada, se segregarmos cada vez mais os artistas e o público, num verdadeiro “cada um por si”, o processo todo será muito mais lento.”

Essa união que Pacs se refere pode ser fundamental para o fortalecimento da cena e do gênero no Brasil, afinal, com esse grande número de novos e talentosos produtores, o gênero pode se disseminar cada vez mais pelo país, abrindo novas portas para mais eventos e para o surgimento de novos artistas. Ao que tudo indica, teremos um ano muito interessante para a cena do Melodic Techno no Brasil para esse e para os próximos anos, por enquanto, o que nos resta é ficar de olho nos artistas nacionais que estão fazendo um ótimo trabalho.

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