Precisamos falar sobre: festas clandestinas e como elas impactam negativamente para o cenário eletrônico

Quem não está com saudade de uma festinha, de encontrar os amigos, poder dar aquele abraço, beber bons drinks e curtir uma sonzeira? Infelizmente, nos últimos meses, festa e diversão, se tornou algo muito desejado (mais do que antes). Entretanto, não temos outra alternativa, a não ser fazer nossa parte: ficando em casa.

Para muitos, aparentemente a ficha não caiu. Não estamos de férias, estamos em meio de uma pandemia, onde a cada dia, o número de infectados e mortos, só aumentam. De acordo ao G1, o número de mortes devido ao COVID-19 em nosso país, já passa de 80 mil, sendo mais de MIL óbitos por dia. Porém, na cabeça de muitos, esse cenário drástico ainda não caiu, sendo que estamos lidando numa era digital, onde temos notícias 24 horas por dia sobre a pandemia, onde manter-se informado, tornou-se mais do que obrigação.

No último final de semana, rolou uma festa clandestina no interior de São Paulo que acabou levando exposed devido a quantidade de pessoas aglomeradas, inclusive: SEM MÁSCARA (item que se tornou OBRIGATÓRIO fora de casa). A festa rolou no Sítio da Glória e gerou revolta aos profissionais da cena.

(Foto: perfil do Instagram da festa).
(Foto: line up da festa clandestina “Tudo no Sigilo”).

A festa, contou com 7 DJs, no qual possuem vídeo espalhado na internet tocando no mesmo. Nomes como: @malakmusicdj, @oliverwessmusic, @laylabrennand, @petersonfersa, @dantmusics, foram reconhecidos em vídeos postados em stories por frequentadores da festa. Com a repercussão da exposição até o momento não se pronunciaram pedindo desculpas. Apenas negando ou deletando/mudando o username dos respectivos perfis. Até o momento, os organizadores do evento não foram reconhecidos e/ou não há provas publicadas para levarem exposição.

(Vídeo: Reprodução Facebook – compilado da festa clandestina Tudo No Sigilo).

Após essa bagunça, nos perguntamos: o que leva uma pessoa em sã consciência, realizar um evento em plena pandemia? Importante ressaltar que eventos estão PROIBIDOS, e para quem vive desse setor, sabe que estamos sem previsão para retorno.

Você, produtor de festa, qual é a sua ética e moral para idealizar algo tão irresponsável assim? Você deveria prezar a saúde dos frequentadores, pois quando organizamos um eventos, pensamos num geral. E saúde é um desses itens! Você deveria respeitar e honrar seus colegas de trabalho, que também estão na mesma situação: estamos todos parados e sem renda, esperando a melhoria da doença e mais para frente, a liberação.
Por estarmos sem renda, precisamos fazer acontecer”, resposta errada! Isso só atrasa mais ainda o mercado. Estamos há mais de 100 dias parados, em casa, na expectativa de uma vacina e cumprindo nossa parte, respeitando os profissionais de saúde que estão dando as caras a tapa e tentando salvar vidas. Fora os cientistas que estão todo dia estudando e testando uma vacina, para VOCÊ e outras pessoas. Já parou para pensar a proporção da parada? São mais de 80 mil pessoas que foram embora e não puderam nem se despedir dos seus familiares. Como diria o Jacquin: você é a vergonha da profissão

E você, artista, que aceita convites para tocar em festas assim: como é que você quer ter fãs desse jeito? A partir do momento que você se torna artista, você se torna figura pública. Lide com a exposição. Você deve dar exemplo. E qual exemplo você dá com isso tudo? DIVERSOS artistas estão passando dificuldades, com contas à pagar, abrindo mão de sua carreira, porque o COVID simplesmente chegou e deu uma voadora em todo mundo de uma vez só. Você não é digno de aplauso. Pelo contrário: o palco não é o seu lugar. 

E por último, mas não menos importante, você, público, que compra seu ingresso para frequentar um evento clandestino assim: você tem amigos? familiares? vizinhos? você ama alguém? Você tem ideia do quão irresponsável você é frequentando e dando ibope para eventos assim?
O que mais li em comentários foram: “se não quiser ser infectado, apenas não frequente a festa”, “não estraga a parada, deixa o pessoal se divertir”. Antes fosse só isso, né? Mas são essas pessoas que quando são infectadas, que disputam respirador no SUS com algum cidadão inocente, que foi infectado indiretamente por pessoas que estavam em aglomeração. E bom, depois não precisamos nem prolongar muito, né? São essas pessoas que depois recorrem à crenças pedindo ajuda, mas que na hora da folia, não teve um pingo de empatia e responsabilidade social com o próximo. A partir do momento, que você pode infectar outra pessoa indiretamente, temos TODO o direito de reclamar e expor SIM. Acordem!

Vale lembrar que não é a primeira e única festa clandestina que rolou por aí. Temos festas ilegais rolando no Rio de Janeiro, em diversos outros locais de São Paulo e estados do Brasil. Porém, a que ganhou veracidade de exposição foi essa que ocorreu no Sítio Santa Helena, devido a “divulgação” dos próprios frequentadores da festa, nas redes sociais. 

Tenho propriedade total para reclamar e me impor, dando voz aos meus colegas de trabalho e pessoas que ajudam a movimentar a cena. Desde o segurança do evento, o pessoal da higienização, do bar, da produção do evento, logística, fotografia, bookings, entre mil outros setores que temos para quem trabalha com eventos e alimenta nosso mercado. Nós que estamos vivenciando isso, sabemos o quão é desanimador e revoltante nos deparar com flyers e vídeos de eventos clandestinos rolando por aí. Estamos sobrevivendo em um momento difícil, fazendo nossa parte EM CASA e nos reinventando na maneira do possível, tentando manter o pensamento positivo, e acima de tudo, respeitando uns aos outros, pois sabemos que juntos somos mais fortes e fazemos a diferença. Não é uma opção ficar em casa. É UMA OBRIGAÇÃO

Diversas pessoas já perderam seus empregos, grandes clubes e agências falindo… E NÃO É A SOLUÇÃO RECORRER FAZENDO EVENTOS CLANDESTINOS. Esse tipo de pensamento e atitude, só atrasam a cena. Portanto, aos produtores de eventos e artistas: vocês merecem blacklist, sim!

Não sejam egotistas. Se informem, leiam o noticiário, respeitem as pessoas ao seu redor, respeitem os profissionais de saúde, respeitem as pessoas. Afinal, vocês dependem de pessoas para fazer o evento bombar ou a carreira deslanchar. Vocês dependem de outras pessoas depois para sobreviver no hospital e cuidarem de vocês.

Não apoie, não frequente, seja contra eventos clandestinos. Precisamos boicotar e expor sim. Caso contrário, até quando vamos deixar os números de óbitos aumentarem e sem previsão de retorno? Para uns isso é entretenimento, para outros, forma de sustento. Respeitem o próximo, seja consciente!

E para quem ainda duvida da gravidade, segue desabafo do Voxicode, que é DJ e produtor, mas está prestando serviço durante a pandemia SALVANDO VIDAS:

Amanda Nakao

Viciada em criar pautas para DJs e ir a shows de música eletrônica.