O Electric Daisy Carnival Brasil visto de cima

Nos dias 4 e 5 de dezembro, ocorreu o #EDCBR, e nossa equipe esteve presente! Agora, nada mais justo do que fazermos um “review” para os que não foram, e também para os que foram, sobre os pontos negativos e positivos do evento, certo?

Para darmos inicio vamos falar sobre a acessibilidade do evento! O festival aconteceu no autódromo de Interlagos, em São Paulo, e ir de metro/trem foi a melhor opção, rápido, sem maiores problemas. Para os que decidiram ir de carro, acabaram enfrentando um trânsito caótico já conhecido, do centro de São Paulo.

Chegando nos arredores do evento tudo foi muito bem sinalizado, indicando os locais para entrada e seguranças bem informados para indicar a entrada mais próxima, realmente, tudo bastante organizado e bem sinalizado.

parque

Dentro do festival as primeiras impressões foram boas, muito espaço para dançar e sem filas principalmente na entrada que costuma ser bagunçada na grande maioria dos festivais. Os palcos estavam muito bem posicionados e as atrações do parque de diversões estavam em pontos estratégicos do festival, caminhar entre os palcos era uma experiência muito boa, pois além dos palcos e dos brinquedos, o espaço Trident também chamou a atenção com a possibilidade de tirar fotos bem legais. O palco com  performance de dançarinas, e bobinas tesla, mostrou um show visual bastante interessante mas que pode ter passado despercebido por alguns headliners.

Com bastante área verde e banquinhos para descanso, aproveitar um momento mais chill também não era um problema, os bares estavam tranquilos no inicio do evento e acabaram lotando conforme mais gente chegava, mas já era previsto. Talvez o único problema do festival foi a venda de fichas de papel que com a chuva acabaram molhando e sendo invalidadas, e por serem apenas no valor de dois reais estas acabaram atrapalhando o fluxo nos caixas. Depois de conhecer o local e os arredores do EDCBR, finalmente começamos a explorar os palcos:

KineticFIELD

CATHEDRAL

KINECT

Não é a toa que foi o “palco principal”, sem sombra de dúvidas, um palco que surpreendeu o público brasileiro! O seu tamanho e o seus detalhes fizeram com que os headliners ficassem de boca aberta, e por este motivo também, muita gente ficou “presa” no mesmo. Os sons variaram, e isso permitiu o “kineticFIELD” receber diversas tribos. Tivemos apresentações que passaram desde o trap, ao underground.

Por ser o principal, contamos com uma área vip ao lado, e todos os recursos necessários para uma melhor comodidade. Banheiros, estação de hidratação, lanchonetes, postos de saúde, bares. Neste quesito, o #EDCBR deu aula! O soundsystem estava alto e bem equalizado, porém quem estava mais longe do palco acabou não sentindo toda potência que ele podia oferecer. Nada que estragasse a experiência.

Repow abriu o mainstage e quem acha que o garoto não ia surpreender, se enganou, o garoto fez um set impecável que por sinal está disponível para free download. Veja o review do set aqui.

NERVO foi um dos grandes destaques, o duo das australianas sempre contagia o público com suas músicas clássicas como Like Home e Revolution. Mandaram um som bem mais pesado do que de costume, voltado ao Electro House e mandando faixas nostálgicas como por exemplo, Sandstorm!

Na sequência Martin Garrix honrou seu 3 lugar no DJ Mag e fez um set memorável com uma versão orquestral da animals que ele tem usado para intro, mandando muitos sons cheio de energia, big room, electro house e as novas tracks como Poison, o remix de Can’t Feel My Face, Dragon e Forbbiden Voices, um set bem trabalhado e variado, sem perder a essência do antigo Garrix e com o toque do novo estilo dele. Lembrando que em breve soltaremos nossa entrevista EXCLUSIVA com Martin Garrix, aguardem!

GARRIX

No segundo dia, o palco principal sofreu um pouco com a chuva e a famosa coruja acabou não aguentando, porém foi arrumada rapidamente e voltou a vida durante as apresentações. O soundsystem aguentou impecavelmente e o palco também. O show de luzes, após a chegada da chuva se tornou algo mágico, dando ainda mais vida e detalhe as luzes.

Slander que foi pouco lembrado pelos brasileiros, fez uma ótima apresentação no palco principal. Um set que contou com tudo o que há de melhor. A presença de palco e energia dos DJs, bangers de todas vertentes e um set construído por etapas, que começou no big room, e passou pelo trap, hardstyle, e trapstyle. Prison Riot foi o ponto alto da apresentação.

KSHMR foi uma das grandes surpresas no line up pois o #EDCBR foi a sua segunda apresentação como DJ. KSHMR só não foi o grande destaque pois eram muitos grandes artistas e ficou difícil escolher o melhor, mas com certeza ele está entre os melhores! Sua apresentação foi marcada quase que inteira por produções próprias, o que destaca a qualidade do produtor, diversas versões live de suas músicas como Dead Mans Hand, Memories, The Spook e já consagradas como Secrets, Burn, Karate, JAMMU, No Heroes, Toca, e mais inúmeras faixas insanas. KSHMR marcou seu nome na história com sua primeira apresentação aqui no Brasil!

Above & Beyond fez um dos melhores shows da noite, com uma experiência verdadeiramente memorável. Era evidente toda a energia presente na multidão que surgiu depois do seu trance. Um show realmente impressionante, deixando o público ligado até o final. As músicas criaram uma atmosfera acolhedora entre os presentes, fazendo com que algumas pessoas ficassem realmente muito emocionadas.

SKRILLEX mais uma vez surpreendeu todos presentes e fez um set espetacular e que gerou bastante polêmica no EDCBR. Sonny tocou funk e até mesmo sertanejo buscando agradar o público brasileiro, mas acabou agradando a uns e desagradando a outros, o que já era de se esperar. É uma polêmica bastante interessante que renderia um texto inteiro sobre, mas resumindo, o público brasileiro ainda tem uma certa rixa entre estilos dentro e fora da eletrônica e isso ficou bem provado depois da apresentação do Skrillex. Talvez deveríamos abrir mais nossas mentes, não é mesmo? Com diversas clássicas e novas como Red Lips e Burial, Skrillex mais uma vez fez uma apresentação memorável.

Deorro teve mais uma noite inspirada. O mestre do Melbourne Bounce mostrou todo o repertorio da sua gravadora “Panda Funk”, e com diversas músicas ainda não lançadas fez um set incrível. Mandando tudo que tem de melhor no Bounce, um dos estilos mais dançantes e alegres do mainstream, Deorro sempre cativa seu público e é claro que ele iria encerrar o set em grande estilo com um hino da música eletrônica atual, Five Hours.

Como dito anteriormente no post, escolher um ”melhor” é uma tarefa injusta e difícil, e nessa lista dos melhores o duo Rob Swire e Gareth McGrillen estão lá e brigando pelo posto de melhor set do #EDCBR. Knife Party retornou ao Brasil e eles realmente vieram com vontade de mostrar tudo que tem de melhor, um set perfeito em todos sentidos, das novidades a nostalgia, do Electro ao Dubstep, energético, dançante e pesado. Destaque para as clássicas Destroy Them With Lasers, Bonfire e para as novas Parliament Funk, Plur Police na versão original e remixada por Jauz. Knife Party focou bastante em tendências atuais como Bass House, quem sabe veremos o duo voltando para o Bass Music?

A tarefa de fechar o palco principal ficou com o grande talento brasileiro Vintage Culture, e no o final do set Skrillex subiu ao palco para fazer um b2b! O que nós meros mortais podemos falar? O set foi impecável e conseguiu agradar tanto os mais exigentes do underground quanto aos que gostam de músicas mais comerciais, os hits That’s Why, e Faded, se juntaram com remixes de clássicas e músicas mais conhecidas como Deep Down Low. Lukas surpreendeu a todos na pista e do palco, cumpriu a missão de encerrar o #EDCBR da melhor maneira possível!

VINTAGE

bassPOD

basspod

Esse palco que foi extremamente aguardado por nós, acabou ganhando pouco destaque da mídia por não ser uma vertente explorada no Brasil. Mas para nós, foi um dos melhores palcos que já aterrizaram no país e vamos fazer jus a ele escrevendo tudo o que aconteceu por lá nos pequenos detalhes. o bassPOD estava com uma estrutura que podia ser mais trabalhada, um palco menor que os outros, que acabou ficando com um gosto de não estar completamente acabado, dançarinas para intervenções artísticas , containers ao redor do palco e um soundstystem com uma qualidade boa, mas, que sofreu um pouco com alguns sub baixos de alguns Djs de trap,  que resultou em algumas distorções e ruídos mas que não atrapalharam o rendimento final do som.

As apresentações e a energia do público foram o ponto alto do bassPOD, poucas vezes na vida vi uma energia tão positiva e um público tão fiel a um estilo, quem estava lá, realmente esperou por muito tempo por um palco voltado ao bass music e mesmo com poucas pessoas, estes representaram e mostraram que o Brasil quer sim dubstep e trap music.

BRO Safari fez uma das apresentações mais espetaculares do palco. Com uma habilidade incrível nas pick ups, soube administrar a pista como um maestro, mesclando dubsteps insanos e traps com muito swing, mandando clássicos como Burial entre outras. Resumindo, uma apresentação histórica!

Datsik entrou na sequência e iniciou o set mostrando quem era o rei da noite. Com o seu estilo único de dubstep, Datsik mostrou todo seu repertório com clássicas como Troynado, Turf Wars, The Blastaz com Barely Alive e até mesmo a versão VIP da Swagga um dos maiores hits do canadense. Datsik realmente honrou o posto de grande atração da noite no bassPOD e satisfez o público lá presente.

No sábado a chuva castigou bastante quem foi para o festival, mas isso não tirou a empolgação de quem estava no palco, isso nos surpreendeu bastante e ali mesmo com toda lama, chuva e vento, foi o dia em que o público estava mais empolgado.

Crizzly foi uma das apresentações mais energéticas de todas, contando com o MC (que estava mais animado que o próprio público), e olha que a galera não parou por nenhum segundo! Com direito a “stage dive” num pedaço de pizza inflável, foi no meio da pista com chuva e obstáculos para cantar e até mesmo dividir o microfone com o público. Realmente uma apresentação inesquecível.

Yellow Claw foi com certeza o mais esperado por todos no palco, foi o que mais lotou e fez uma apresentação muito boa, a presença de palco deles é surreal e tocando clássicas como Techno, Shotgun, Till It Hurts e o clássico remix pra Colors do Headhunterz, conseguiram fazer todos que estavam na pista pular mesmo com todo lamaçal formado por lá.

Kill The Noise foi vítima de alguém que se apresentou na mesma hora que ele: Skrillex. Porém eu fiquei para acompanhar o set de Jake e não me decepcionei. Mesmo com uma pista vazia, KTN mandou um set perfeito, uma pena que ele se apresentou para poucas pessoas.

Excision foi mais um entre as grandes atrações que sofreram um pouco por tocarem na mesma hora que o Skrillex. Sua apresentação começou bem vazia mas foi enchendo aos poucos, mas o DJ também não deixou seus fans a desejar, com toda sua brutalidade e dubsteps pesadíssimos de sua autoria, como X UP, X Rated, Bounce (Destroid) entre tantas outras. Outra apresentação para não se colocar defeito!

E Zomboy foi o último grande nome a se apresentar no palco bassPOD, um dos mais aguardados por muitos e lógico que não decepcionou! Continuou com a mesma energia de sempre, mixando diversas tracks do Skrillex, incluindo sua collab com ele, tocou também muitas tracks conhecidas como WTF!?, Skull N Bones, Survivors e a versão VIP da Terror Squad. O garoto zumbi foi um dos melhores sets do sábado e esperamos poder vê-lo novamente em breve!

Com alguns pontos para serem melhorados, como a estrutura do palco e espaço, a próxima edição poderá mostrar todo potencial que o bass music tem no Brasil, pois, como já foi dito na matéria, o público deu um show a parte e realmente foram os grandes headliners do bassPOD!

neonGARDEN

neongarden

Assim que chegamos no festival na sexta-feira, nos deparamos com o neonGARDEN e logo partimos para conferir como estava. Além de ter uma estrutura enorme com uma grande variedade de leds espalhados, o Neon Garden, para surpresa de muitos, era o palco com o soudsystem mais potente do festival.
A estrutura de qualidade, lineup impressionante e um audiovisual de tirar o fôlego, fez desse um dos melhores palcos da edição brasileira do festival. Grandes nomes passaram por ele na sexta, e um dos destaques foram os brazucas do Chemical Surf que mesmo no começo conseguiram lotar a pista e botaram pra quebrar. Gorgon City mandou um som futurístico e bem musical e se destacou como já era de se esperar.
O já conhecido Jamie Jones fez mais uma apresentação sensacional, mostrando como um verdadeiro dj se porta nas pick ups, com muita habilidade nas mixagens. The Magician também se destacou na noite. GoldFish com sua live embalou a pista com grandes hits do duo, uma das melhores apresentações do dia.
Na sexta encerramos da melhor maneira possível, era a vez do casal mais carismático e talentoso assumir o Neon Garden, com a missão de encerrar ali o primeiro dia do festival Victor Ruiz e Any Mello elevaram a atmosfera e comandaram a pista com um feeling inacreditável. Ruiz com suas tracks de tirar o fôlego e o audiovisual insano feito pela Any fizeram total diferença no encerramento do primeiro dia!
No segundo dia os grandes nomes da noite no NeonGarden foram Amine Edge e Dance que mesmo com muita chuva não deixaram ninguém parado com seu legítimo G-House de primeira. Dubfire com sua live extraordinária mesclando música boa e um audiovisual de tirar o fôlego, e por fim os brazucas Vintage Culture e Renato Ratier, que foi o grande responsável por encerrar o palco da primeira edição do festival no Brasil.
Não cabe a nós avaliar tremendo espetáculo, não há possibilidades de dizer o quanto foi emocionante para cada um de nós que esteve ali no NeonGarden. Apesar da chuva a estrutura não deixou a desejar em nenhum quesito, dando uma ênfase é claro no piso de borracha anti derrapante que revestia boa parte do NeonGarden, trazendo um conforto maior para o público que a cada set se emocionava mais e mais com tanta magia.
Sem dúvidas os brasileiros que nos representaram no NeonGarden estão de parabéns, como no caso de Vintage Culture, Victor Ruiz e Any Melo, Renato Ratier e Chemical Surf que lotaram mais o palco que muito “gringos” que estavam no line, nos fazendo perceber que merecemos sim um festival desse nível em nosso país.

Conclusões Finais

A primeira edição brasileira do EDC se destacou em diversos pontos, como por exemplo o seu line up que surpreendeu e trouxe nomes de vertentes que não são tão exploradas no Brasil, como o Dubstep e o Trap. Esperamos que voltem a dar destaque para estes nos próximos anos!
Outras características que foram destaque do #EDCBR, foram sem dúvida a estrutura que por via das dúvidas estava fantástica, os brinquedos, e toda decoração.
Mas, esta primeira edição pecou em alguns detalhes afinal, se aprende com erros! Mas apesar disso temos certeza que serão revisados para as próximas edições. Como teremos mais 3 edições, esperaremos ainda mais para as próximas, a expectativa já começa a crescer! Sobre o #EDCBR 2016 só temos uma certeza: estaremos lá mais uma vez!
END
Escrito por: Daniel Nakanishi; Matheus Fialho Gomes; Vinícius Sousa; Yohan Augusto; João Somaio; Lucas Rafael Martins
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Yohan Augusto

☁️ Behind everyone's favorite song, there is an untold story.