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quinta-feira, fevereiro 5, 2026

Yousuke Yukimatsu: De The Prodigy á Jamie XX, o que esperar no Lollapalooza Brasil 2026?

Existem, de forma geral, dois tipos de DJs. Aqueles que se moldam à pista e buscam traduzir em música aquilo que o público espera ouvir, e aqueles que tocam a partir de referências pessoais, transmitindo sentimentos, impulsos e emoções sem a preocupação de agradar. Não há certo ou errado entre essas abordagens. Mas, para Yousuke Yukimatsu, a vida só passou a fazer sentido quando decidiu seguir o segundo caminho.

A formação musical do DJ japonês está longe de ter começado no techno. A trilha sonora de sua infância foi marcada pelo rock clássico. Seu pai era obcecado pelo gênero, a ponto de transformar essa paixão em uma espécie de religião dentro de casa. Ainda no ensino fundamental, Yukimatsu se aproximou do hard rock e do metal. Já no ensino médio, passou a consumir bandas como Sonic Youth e The Prodigy, ampliando seu horizonte sonoro para territórios mais experimentais.

Do peso e da estrutura do rock clássico à experimentação alternativa, até chegar às possibilidades ilimitadas da música eletrônica, Yukimatsu foi, sem perceber, construindo um vasto arsenal de DNA musical. Essas referências diversas se tornariam fundamentais para a identidade que mais tarde o colocaria como uma das figuras mais singulares da cena eletrônica global.

Durante muito tempo, sua trajetória seguiu um caminho dividido. Durante a semana, trabalhava na construção civil. Nos fins de semana, tocava em festas pequenas em cidades vizinhas. Era uma vida dupla, sustentada pela estabilidade do trabalho formal e pela inquietação criativa que encontrava espaço apenas nas pistas menores.

A virada de chave aconteceu em 2014, em uma noite decisiva no evento Namanohana Special. Ali, Yukimatsu dividiu o palco com a lenda do techno DJ Nobu e o artista experimental NHK Kyozen. Foi nesse contexto que ele percebeu, de forma clara, que todo o conhecimento acumulado ao longo dos anos com o rock podia dialogar diretamente com o techno. Mais do que isso, reconheceu as oportunidades criativas abertas por essa fusão.

A partir desse momento, Yukimatsu passou a estruturar sua carreira de forma autoral. Criou o Zone Unknown, sua própria série de festas em Osaka e Kobe. O nome não era aleatório, mas um manifesto: território desconhecido. Música feita para pessoas dispostas a ir onde outros não iriam.

Dali em diante, sua carreira entrou em constante ascensão. Após trabalhos conjuntos com artistas como Arca, Yukimatsu desenvolveu uma filosofia que passou a definir tudo o que toca. “Eu toco músicas pop porque eu gosto delas, e não penso muito em funcionalidade ou no que é funcional para o público. Mas tenho a sensação de que, se eu gosto de algo, o público também vai gostar”, resume.

Essa visão confronta uma lógica comum na cena eletrônica. A maioria dos DJs é prisioneira de gêneros: DJs de house tocam house, DJs de techno tocam techno, DJs de hip-hop tocam hip-hop. Yukimatsu decidiu que essas fronteiras eram ficção.

Em seus sets, “Freak on a Leash”, do Korn, surge no meio de um set de techno. “Firestarter”, do The Prodigy, se mistura naturalmente com Jamie xx. Chemical Brothers se transformam em gabber, que se dissolve em paisagens sonoras ambientes. Faixas que, em teoria, não deveriam coexistir não apenas funcionam juntas, mas criam algo mais poderoso do que qualquer uma delas isoladamente.

Críticos chamaram de caos. Fãs chamaram de genialidade. Yukimatsu chama de honestidade.

Mas sua singularidade não se resume à mistura de estilos. A técnica é parte central da experiência. Enquanto a maioria dos DJs trabalha com fades sutis, Yukimatsu frequentemente executa duas faixas em volume máximo simultaneamente, criando mashups ao vivo que não deveriam funcionar, mas funcionam. As músicas são cuidadosamente alinhadas harmonicamente, com tons que se complementam, e os refrões chegam juntos, cronometrados para maximizar o impacto.

O segredo está no EQ. Yukimatsu não mistura faixas, ele cria uma atmosfera. Eleva os graves para condicionar a pista, recua estrategicamente para criar tensão e, então, devolve tudo com força total. O drop não apenas acontece. Ele devasta.

Ele se recusa a usar funções de sync. Tudo é feito de forma manual. Cada transição carrega imperfeições humanas que, paradoxalmente, se aproximam da perfeição. Yukimatsu utiliza loops longos, empurra faixas ao limite de BPM e conecta músicas que nunca deveriam se encontrar.

Assistir Yusuke Yukimatsu tocar é ver alguém tratar a cabine como uma tela e os toca-discos como pincéis. Isso não é apenas DJing. É produção musical ao vivo, em tempo real. Você tem a chance de presenciar isto no dia 22 de Março, quando o DJ se apresenta no Lollapalooza Brasil, os ingressos você pode encontrar clicando aqui.

Vinicius Pierozan
Vinicius Pierozan
not your average bald and bearded clubber.

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