A importância do suporte e união para novos produtores

A cena da música eletrônica nacional está escassa, sem muita variedade e espaço para artistas de outras vertentes, ainda sim existem pessoas que acreditam em seus sonhos e sua música. Existem pequenos sonhadores que se mantém fiel com o estilo musical que se identifica.

Não é de qualquer pessoa que vem o pensamento de criar algo próprio, uma comunidade ou uma equipe. Às vezes um simples grupo de amigos pode ser o que você mais precisa para todos se incentivarem juntos a entrar na imensidão musical, e é bem comum ouvirmos isso de grandes DJs que começaram assim, com união. A liberdade musical deve ser abraçada e o artista deve se identificar com um ou vários sons que ele se sente bem fazendo, que se sente representado. Unir-se com as pessoas que compartilham o mesmo amor e interesse é também representar algo além de música, mas também de resistência e amor ao que faz – nem todos têm oportunidades e chances de realmente começar algo que gosta por vários motivos. Manter o “Don’t give up energy” é super importante para uma comunidade, pois ali todos são a base para isso acontecer.

A falta de oportunidade em relação ao mercado atual é bem explícito, pequenos produtores são desmotivados e muitos desistem de continuar seu som, sua marca e sua história, e não é muito díficil de compreender o motivo de estarmos assim hoje.

A situação financeira do país não é estável e boa o suficiente para trazer grandes festivais e os grandes artistas internacionais, então o Brasil começou sua própria identidade musical com Low BPM (Brazilian Bass, Slap House, Desande e Deep House). Muitos produtores musicais migraram para esse estilo, e outros entraram em comunidades de DJs que já tinham uma visibilidade no mercado em busca de tentar entender um pouco mais do que estava acontecendo e bom, de fato desmotiva estar em um país em que não há um espaço para a diversidade musical.

Em consequência disso, a união dos futuros talentos musicais pode ainda sim ser porta de entrada para muita coisa, e uma simples conquista de um sendo a conquista de todos. Ninguém sozinho teria oportunidade se não fosse todo o suporte e campanha voltado para tal artista. E lembrando que isso acontece somente com pessoas por trás, sempre mostre que você não está sozinho!

(Evento Bring Back EDM no ano de 2018 pela Let’s Bass, em SP. Foto: Divulgação / Bruno Feitosa)

O pontapé inicial para você perceber que de fato pode começar algo é reconhecer as pessoas que estão com você, que você tem uma aliança sólida, e não tendo isso pode ser desafiador na hora de começar sua comunidade, sua base. A ajuda e benefícios de fazer parte de alguma família é ter aquele e-mail de tal gravadora, ajuda na produção, recomendação de som, cada um prover o que é necessário pro outro e acrescentar sempre no aprendizado.

Fora o lançamento de artistas que ocorre, a liberdade musical na hora de produzir, passar e colher conhecimentos de todos os tipos.

Um dos segredos é manter-se fiel ao seu gosto musical e com a música que você se identifica, ter certeza do que gosta e do seu trabalho, e não se deixar levar pela correnteza da cena, que envolve uma hierarquia financeira. É sobre simplesmente quebrar barreiras, manter o orgulho e ir pra cima. Infelizmente essa é a situação atual que vivemos e novamente, a falta de oportunidade é clara.

(Evento Bring Back EDM no ano de 2018 pela Let’s Bass, em SP. Foto: Divulgação / Bruno Feitosa)

Nesse meio é bem comum vermos realmente pessoas menores de idade, sonhadores e inspirados em grandes artistas da música eletrônica mundial e da EDM. Em relação à idade sabemos que isso é muito relativo pois temos o Martin Garrix como exemplo, que começou a mexer com música aos 8 e aos 16 começou seu projeto. Aos 17 sendo o DJ mais jovem a se apresentar na história do Ultra Music Festival. Claramente, a idade não te limita a fazer música, música é para todos! Exemplos como o DRIIIFT que aos 16 levou suporte do Hardwell, e aos 18 lançou na Mixmash (produtora do Laidback Luke) com o K1LO também aos 18 anos. Hoje a track tem meio milhão de views, e os meninos recebem suporte do Luke. CMAX aos 18 anos, e Thayner aos 23 lançaram sua primeira colaboração na Security Records, fundada por Samuel Santos de 17 anos.

“Desde pequeno sempre amei música eletrônica, até por influência dos meus pais (se conheceram em um evento de eurodance). Sempre quis levar meu som pro público sentir o mesmo que eu sentia ao ouvir as produções mais bombadas do momento. Depois que comecei a me entrosar com o pessoal que tinha o mesmo objetivo que eu, o amor pela música eletrônica aumentou numa quantidade absurda, me motivando cada dia mais a correr atrás do meu sonho. Meses antes de lançar na Mixmash eu já estava feliz porque a ‘Drop It’ ia ser assinada numa gravadora internacional que eu já acompanhava, e pra mim já era uma conquista enorme isso. Quando o próprio Laidback Luke (dono da label) ouviu a ‘Drop It’, ele amou e logo quis lançar na Mixmash. A track bombou, foi tocada na Tomorrowland pelo Luke e foi usada para divulgar o set dele nas redes sociais. Após esse lançamento, eu já estava sentindo uma inspiração que eu nunca tinha sentido na minha vida toda, que é de continuar na cena crescendo e levando meu trabalho pra cada canto do planeta.”, relata K1LO.

“Lá em 2011 eu queria fazer dubstep inspirado em Skrillex e Krewella, até conhecer o Bigroom do Hardwell e mudar totalmente meu plano de assinar na Owsla para assinar na Revealed, eu só tinha 10 anos. O primeiro DJ grande a tocar um som meu foi o Hardwell lá em 2018. Tinha 16 anos quando ele tocou meu remix da Thriller (do Michael Jackson) no Hardwell On Air 370, meu plano seguia o mesmo desde 2012, assinar na Revealed. Outro grande momento antes de assinar na Mixmash certamente foi o DJ Laidback Luke tocar meu remix do som dele “Oh Yes” no palco principal do Tomorrowland 2019! Sensação de realização de um sonho de quase uma década (de lançar numa gravadora grande) e a certeza que o caminho até o topo ainda era longo, mas que eu tô apontando na direção certa. Agora que eu sei o caminho, quero passar ele pra todos os artistas da Tandem (minha comunidade) que tem o mesmo sonho que o meu”, relata DRIIIFT.

DRIIIFT e K1LO.

Não é qualquer jovem que tem desejo de começar sua gravadora e ter a ousadia de se jogar pra esse mundo business da música. Uma das formas de despertar isso pode ser com algum amigo mandando tracks e pedindo seu feedback, e no momento que você percebe que o produto é bom e não quer deixar de lado talvez você possa começar sua própria label, e lançar faixas de gêneros esquecidos pelas principais gravadoras atual do mercado. É grandioso como a força de vontade pode realmente de fato começar algo de qualidade, mesmo com poucos acessos, construindo uma história e uma identidade. 

Com contatos e com o projeto idealizado na cabeça, em 2020 durante a pandemia, foi ao mundo a Security Records. Samuel nos conta que nunca imaginou trabalhar nesse meio e só seria somente aquele cara que gostava das músicas e ia para festas igual as outras pessoas. “É uma parada surreal porque foi inesperado e está dando certo”, diz ele.

Com união, harmonia, parceria, talento, propósito, persistência e coragem os citados acima e sua família, lançaram um EP de remix da ‘Backspace’ por Gustavo J e K1LO. No EP consta com o VIP Edit, Progressive House pelo Thayner, SNTN e Leo DNZ com Electro House, em seguida DRIIIFT lançando seu primeiro release de Hardstyle, e DroidStep mandando um Festival Trap. A criação desse EP foi a realização de um sonho, e nada mais nada menos que chamar seus amigos para fazer parte disso foi um ponto total FORA da curva.

Confira o EP abaixo:

“Força de vontade e a persistência sempre vão vencer as tendências forçadas, a EDM vive muito bem nesse país e nunca vai sumir da cena graças aos corajosos talentos nacionais. Ao contrário da direção da cena nacional, estamos aqui pra provar que EDM não é só um som passageiro mas sim a base do futuro. Não desistam porque a jornada é muito longa, só vence os que persistem e não deixem de fazer o que amem e o que te representa por dinheiro, nunca desvie o seu legado por cena nenhuma, sua música chegará eventualmente a aqueles que precisam ouvir.”, por K1LO e DRIIIFT.

Compartilhar, salvar, opinar e fazer parte de um conjunto de artistas pequenos ou amadores de qualquer área musical é sempre primordial, porque sem ninguém, nada anda e funciona. A união faz a força e ter pessoas que acreditam no seu potencial e no seu som é mais primordial ainda. Isso faz com que o produtor esteja com a mão na massa sempre, e até mesmo quando não tiver ele sempre lembrará do seu valor. Aliar-se à artistas que nem ele, que carregam o mesmo propósito, é essencial para criação de uma história ou até mesmo uma marca.

Para todos os produtores de música eletrônica do Techno ao Drum & Bass, do Psy Trance ao Hardcore, do Electro House ao Progressive House, do Dubstep ao Future Bass. Vocês são o futuro da música, não desistam!

Ianne Souza

Fã de música eletrônica, sempre em busca de aprender mais. Choro em shows.