Do Funk ao Techno: saiba como foi o primeiro festival da Gop Tun

Por: Gabriel Zanucci.

Sábado passado, dia 2 de abril, aconteceu o primeiro Gop Tun Festival para celebrar os 10 anos do coletivo e selo musical. O local escolhido foi o Live Stage no Canindé, em São Paulo, onde antigamente funcionou o complexo aquático do estádio. As expectativas para o evento eram altas, pois apesar de ser o primeiro festival organizado inteiramente pela Gop, o coletivo já tem em seu currículo eventos de peso como o Xama, além de uma parceria com o Dekmantel. Foram 20 horas de festa, com 48 artistas responsáveis por comandar as pistas dos 4 palcos: Main Stage, Supernova, Danceteria e Não Existe.

Ao chegar no evento, a primeira impressão que tivemos foi em relação à estrutura e organização. Todas as áreas estavam bem distribuídas e sinalizadas. O festival contou com áreas de descanso aconchegantes, o que é sempre bem vindo em eventos de longa duração. Na Área Trident Destrava, o visitante foi contemplado com espreguiçadeiras de tecido rodeadas de árvores com uma decoração imersiva e interessante. No Bar Jack Daniel’s, estavam dispostos sofás, mesas, poltronas e bancos para apreciarmos os drinks (que estavam deliciosos) embaixo de uma área concretada coberta.

Foto: Ariel Martini | Gop Tun Festival

Os bares foram posicionados em pontos de fácil acesso, próximos aos palcos. Já a praça de alimentação, foi posicionada na região central do festival. Ambos tinham uma quantidade boa de opções e os preços não eram abusivos, o atendimento era rápido e a equipe aparentou estar bem treinada para suprir as demandas do público.

Um dos pontos que mais nos chamou a atenção foram os detalhes, tanto na iluminação, quanto na decoração. Todo o espaço mantinha uma unidade seguindo o conceito do festival, a iluminação seguia uma paleta de cor característica dos eventos da Gop, com ênfase em tons de vermelho, azul e roxo. Na área Trident Destrava, a cor predominante era o verde, com destaque para arcos iluminados posicionados nas árvores. A presença de plantas e elementos naturais foi observada em todo evento, esta opção de decoração fazia com que o festival e o Live Stage se complementassem.

Foto: Ariel Martini | Gop Tun DJs – Main Stage

O Main Stage foi o palco central do evento, nele se apresentaram projetos como Motor City Drum Ensemble, Skatebård, Gop Tun DJs e Octo Octa & Eris Drew (citando alguns). Sua estrutura estava digna de um palco principal, possuía uma cobertura alta, com destaque para as luzes na cor branco quente posicionadas por toda parte superior que cobria a pista, esta característica combinava muito bem com as identidades sonoras mais analógicas exploradas pelos diferentes artistas. Na parede posicionada atrás do palco, foi projetada uma iluminação que explorava degradês nos tons do arco-íris, que casou muito bem com a proposta do espaço, mais uma vez nos despertando a sensação de sinergia entre o festival e o Live Stage. O som estava bem claro e definido, com uma abrangência boa em todo o espaço de pista, proporcionando uma pressão sonora muito agradável e enérgica nas frequências graves. Era até possível percebermos quando o artista estava tocando alguma track no vinil, pela característica singular dos ruídos produzidos por este tipo de mídia analógica combinada com a definição do sistema de som.

Já a Danceteria, era um palco mais intimista, com os artistas se apresentando mais próximos do público em um espaço menor e arborizado. Nele, ficamos impressionados com a iluminação cenográfica espalhada por todo o espaço. Havia a presença de globos de discoteca espelhados, que quando atingidos pelas luzes em meio a fumaça liberada periodicamente, produziam raios luminosos que cortavam as árvores posicionadas na frente deles, criando uma atmosfera que proporcionava uma viagem sensorial junto ao som. Falando no som, mais um ponto positivo por aqui, ele também estava muito claro e agradável, não conflitava com os outros espaços do festival e cobria todo o recinto do palco. Nele se apresentaram projetos como: Aerobica, Escombro (live), Cauana x Omoloko e Valentina Luz x Gigios.

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O palco Supernova foi destinado a uma sonoridade com BPMs mais acelerados. Sua cenografia estava muito interessante, nele o destaque ficou para os lasers posicionados nas partes frontais e traseiras do palco, que juntamente com as demais luzes, criavam uma atmosfera futurística que conversava muito bem com a proposta sonora desse espaço. O som estava bem balanceado e também não causava conflito com os demais palcos. Seus graves se dissipavam de uma forma enérgica e impactante. Alguns dos projetos que se apresentaram nele foram: Amanda Mussi x Victoria Mussi, Cashu x Kenya20Hz, Avalon Emerson e RHR.

Foto: Ariel Martini | FBC e Vhoor – Não Existe

Por fim, o palco Não Existe, feito em parceria com a Beck’s, entregou um line com algumas sonoridades que fugiam da esfera da música eletrônica. Ele foi o palco com mais performances na modalidade de Live Act, projetos como L’Homme Statue (Live), FBC e VHOOR (Live), Sanny Pitbull e Badsista se apresentaram por lá. Sua decoração fazia jus ao seu nome, os destaques se deram para o painel de luzes que ficavam atrás dos artistas e uma peça central composta por uma estrutura de metal com tubos de LED que ficava suspensa no centro da pista. O som estava muito bom dentro do recinto, porém em um determinado momento, sentimos uma presença muito forte de médios e agudos que causaram um pouco de desconforto auditivo. O palco contava com uma área de descanso composta por cadeiras de praia, algo muito bom e descontraído para descansarmos sem perder a vista das apresentações.

Foto: Ariel Martini | Motor City Drum Ensemble – Main Stage

Dos artistas que conseguimos prestigiar, podemos destacar alguns que nos chamaram a atenção. L’Homme Statue entregou uma performance extremamente enérgica com vocais impactantes e cheios de personalidade, suas batidas quebradas e linhas de sintetizadores complexas e muito bem executadas colocaram toda a pista para dançar em sintonia. Gladkazuka nos surpreendeu com uma performance bem experimental, explorando timbres diferentes e ousados. As primas Amanda e Victoria Mussi fizeram um B2B dançante e impactante, que conseguiu transmitir a energia da dupla para a pista com fluidez e naturalidade. Os anfitriões, Gop Tun DJs, nos entregaram um set extremamente dançante que transitou entre as influências do coletivo de uma forma muito suave e bem construída, com momentos muito marcantes e enérgicos. Motor City Drum Ensemble nos surpreendeu com sua tecnicalidade e vasto repertório, dando uma aula de House e proporcionando para a pista momentos inesquecíveis. Ousamos dizer que foi um dos melhores sets do tipo que já presenciamos. FBC e VHOOR colocaram todos para dançar em sintonia com uma sonoridade que misturava o Funk Brasileiro com influências do Miami Bass e Hip Hop. O norueguês Skatebård entregou um set carregado de melodias e linhas de baixo impactantes, proporcionando uma viagem hipnótica e cheia de personalidade. Por fim, destacamos Avalon Emerson, que nos surpreendeu com um set cheio de energia que transitava entre batidas lineares e ritmos quebrados, fazendo toda a pista dançar hipnotizada pelo seu som.

Em conclusão, podemos dizer com segurança que o Gop Tun Festival 2022 foi um dos melhores eventos do tipo que já fomos. A atenção aos detalhes, organização e produção, somados com um line up muito bem desenvolvido pela curadoria da Gop e toda a execução das propostas do evento, nos proporcionaram uma experiência muito boa desde o momento em que pisamos no Canindé, até a hora que fomos embora. Esperamos que o festival tenha próximas edições e estamos ansiosos para descobrir o que está por vir.