17 de dezembro de 2017

Em entrevista exclusiva, Bry Ortega fala sobre sonhos, carreira, so track boa e muito mais Mantendo o dinamismo de qualquer outro formato, porém com 100% de originalidade, Bry entrega uma apresentação única.

Músico de formação, o produtor curitibano Bry Ortega começou sua carreira profissional excursionando por todo o país com sua então banda de rock. Algum tempo depois, descobriu sua grande paixão pela música eletrônica e, sem esquecer seu gosto pela criação de música ao vivo, se desenvolveu exclusivamente como produtor com o intuito de se apresentar somente em formato Live PA.

Bry além de responsável pelo selo brasileiro Só Track Boa, possui diversos lançamentos em gravadoras de renome mundial e ao vivo, com muita técnica e habilidade, vai da percussão aos vários equipamentos que o acompanha juntamente com a assinatura da Roland Brasil o qual é artista oficial. Mantendo o dinamismo de qualquer outro formato, porém com 100% de originalidade, entrega uma expressão artística única que assume tamanha força ao vivo.

E em meio a tanto trabalho, conseguimos bater um papo com um dos grandes nomes da música, e você confere agora:

Primeiramente, obrigada por ter aceito bater esse papo conosco, é uma grande honra tê-lo aqui na Wonderland. Bom, hoje você acumula prêmios, inúmeras gigs no Brasil e no exterior, com um reconhecimento invejável. Conta pra nós como era antes de tudo isso acontecer, como tudo começou?

Primeiramente obrigado pelo convite, com certeza iremos nos divertir muito aqui. Bom, a música sempre foi presente em minha vida desde quando era pequeno. Acordava para ir a escola com meu pai colocando os discos de Soul, Acid Jazz, Blues e R&B na época. Na escola também já fazia algumas atividades extra-classes como Flauta e Coral, posteriormente fiz alguns anos de Street Dance até por influência das coisas que ouvia ou seja , os grooves me atraíram sempre (risos). O engraçado era que praticamente meu gosto ficava isolado dos meus amigos quando se falava de música nessa época da escola. Eu sempre escutava algumas referências como Michael Jackson, George Benson, David Sanborn, Eral Klug, Georgie Michel, Eric Clapton e outros nomes que passavam por várias vertentes e soavam completamente estranho para meus amigos, eles não entendiam o porque escutar aquilo e ainda tiravam sarro. Enfim, o meu primeiro contato real com instrumento em estudo foi o teclado que durou 2 anos, depois quando comecei as primeiras aulas de bateria falei que dali não saia mais. Assim começou minha saga por grooves aos 13 anos, que ao longo do tempo foram somando inúmeras bandas e participações com artistas consagrados passando pelo Soul, R&B, Pop, Rock, Rock Progressivo, Heavy Metal e uma longa jornada de muito aprendizado, mais de 5 álbuns gravados, turnês internacionais e algumas centenas de shows no decorrer desse período até realmente entrar de cabeça na música eletrônica como meu projeto pessoal em 2013.

É notável que você trás a essência do rock tanto no quesito musical como no pessoal por ter tido uma banda desse gênero antes de descobrir sua paixão por música eletrônica. É difícil conciliar os dois estilos e manter sua originalidade?

Eu amo conciliar tudo isso, é o verdadeiro “Bry” carregando toda a bagagem e história para onde for, então com toda a certeza não há problema, na realidade isso faz parte da identidade. A bagagem que carregamos seja qual for o artista é o seu grande triunfo mesmo ele não expondo explicitamente, ele entrega isso pela essência seja no palco, nas suas produções e até mesmo na tratativa com o que acontece ao seu redor.

De uns tempos para cá, você avalia que o mercado (a cena brasileira) mudou bastante?

Com certeza a cena veio tendo suas mutações em vários aspectos, mas o ponto que devemos comemorar é justamente termos chegado a patamares mundialmente reconhecidos em tamanha proporção feito trabalhos referenciais, isso é incrível, pois reflete maturando todas as vertentes e a cena cresce como um todo, onde abriu um espaço enorme para muitos terem o primeiro contato com a música eletrônica e os que ja degustam seus estilos específicos com suas preferências podendo olhar para grandes nomes brasileiros agregando nesse cardápio recheado de história.

Vimos em uma matéria para o RMC que você foi citado pelo Meme como uma das revelações da House Music brasileiro. O que isso significou pra você?

Para mim, um marco não só pela matéria mas por ser reconhecido por alguém o qual sou fã de carteirinha (risos). Meu respeito e admiração pelo Meme é de anos pois comecei a ouvi-lo quando foi um dos primeiros remixers do Brasil envolvendo grandes nomes pops mundiais trazendo toda a essência da House music à tona para o Brasil. Em resumo, gratidão enorme por ter sido citado e hoje, uma honra sermos amigos e compartilharmos idéias e conhecimento.

Você é bastante conhecido por desenvolver exclusivamente o formato LIVE PA de apresentação, o que necessita de muita técnica e habilidade. O que fez com que você optasse trabalhar dessa forma?

Como mencionei acima, a música ao vivo para mim é presente desde pequeno quando iniciei os primeiros shows com a banda, então quando me deparei com a discotecagem a qual adorei a arte, ainda achei que poderia fazer diferente e entregar algo mais com a minha identidade natural pela minha trajetória com a música. Era empolgante, mas se tornou um fato engraçado pois não sabia por onde começar, porém a luz foi em uma apresentação do mestre Gui Boratto em Curitiba que fez com que eu me encantasse absurdamente por fazer as músicas ao vivo e entender como eu poderia desenvolver minha arte. Logicamente que foram muitos erros e tentativas para lapidar, estudar e principalmente desenvolver o formato que teria minha identidade soando como gostaria, mas descobri aí o que eu mais amo nesse formato que é uma busca incansável de aperfeiçoamento gig após gig, no studio, nas técnicas e equipamentos que vão abrindo possibilidades infinitas de construção e principalmente o público que vai me conduzindo de maneira recíproca para entregar algo único a cada gig.

Sabemos que você é sócio da marca “Só Track Boa” e label manager do selo o qual é referência no Brasil hoje. Como é pra você fazer parte disso tudo?

É algo incrível, meu sentimento é sempre de gratidão pois estamos vivendo a cada dia a realização de um sonho. É surreal por estar desde o começo em sua criação pelo Henrique Vaz, onde não tínhamos idéia do que ia se tornar quando era apenas uma forma de falarmos e compartilharmos “musica boa” entre os amigos e djs. Porém em algumas conversas sonhávamos ser uma label referência na música eletrônica do Brasil e hoje, alguns anos depois, com uma equipe incrível de parceiros que fazem toda a diferença e somam muito nas devidas frentes da label, podemos comemorar com louvor onde chegamos e principalmente agradecer a tantas pessoas que fazem parte como um todo da nossa família Só Track Boa.

Como você vem trabalhando para desenvolver a sua marca e o seu nome dentro do mercado eletrônico?

Minha identidade é extremamente voltada ao que entrego no palco, é assim que me sinto à vontade de promover meu trabalho, sempre de maneira Audio/Visual com vídeos e apresentações para as pessoas terem 100% do entendimento do que faço. As produções são mega importantes e acho que como produtor sempre queremos chegar ao maior número de pessoas, mas a grande força do meu trabalho está em entregar um show completamente intenso, diferente e trazer uma experiência nova para quem esta assistindo.

Acompanhamos o andamento do seu último lançamento, a Negah, com vocal de Jair de Castro, que foi lançada pelo selo Austro da Som Livre, e manteve-se por 6 semanas consecutivas na Playlist Eletro BR do Spotify além de ter entrado nas playlists de novidades tanto no Brasil como Portugal. Conte-nos como foi o processo de criação dessa track e qual a importância dela na sua carreira após tanto reconhecimento?

Negah é uma música que me surpreendeu porque ela foi criada para uma lutadora de “Impact Wrestling” ( Gabi Castrovinci ) que é minha amiga de muitos anos onde no momento está morando dos EUA. Produzi esse tema para ela entrar no Ringue em suas lutas que correram Las Vegas e outros estados onde a competição é sediada e foi um sucesso, todos gostavam por ela trazer esse apelo brasileiro com a intensidade da música eletrônica. Comecei a fazer ela no Live e para minha surpresa era sempre um impacto absurdo na pista, então voltei ao studio e finalizei para ser lançada. Posteriormente, assinamos com a AUSTRO que nos trouxe mais uma surpresa por ela ter alcançado esses patamares e me levaram a consolidar mais uma vez minha identidade chegando a pessoas que ainda não conheciam meu trabalho em outros países os quais amam essa mistura das percussões de samba com o House.

Vimos que você trabalha somente no formato Live e tem vários vídeos mostrando seus processos de criação e por consequência dessa “técnica”, você foi indicado dois anos consecutivos ao prêmio de melhor live performance. Na sua opinião, o que faz com que seu live faça tanto sucesso?

Uma coisa que tenho certeza absoluta que faz toda a diferença depois de estudar inúmeros artistas que fazem Live, foi entender que o segredo nesse formato está na DINÂMICA, assim como as bandas fazem em seus shows. O fato de trabalhar em um formato 100% aberto e estar trazendo essa dinâmica bem expressiva podendo se moldar a qualquer pista, creio que foram os principais pontos para essas indicações.

Com relação à produção, o que podemos esperar de novidades para 2017/2018?

Serão vários free downloads até o final do ano de algumas músicas que remetem a minha história musical, uma série de 3 vídeos de Live Performance somente com músicas inéditas executadas ao vivo e para 2018 teremos uma grande novidade o qual ja assinamos contrato e estou mega empolgado, porém não posso revelar detalhes ainda, somente que será uma enxurrada de músicas novas com uma gravadora de renome mundial incluindo clipes e novas turnês fora do Brasil.

Pra finalizar, um recado para quem lhe acompanha?

Só agradecer de coração a todos que estão sempre presentes de alguma forma, nos shows, pelas mensagens, pelas lives nas redes sociais, todos são fundamentais para cada passo na minha história. Que nossa essência seja unida sempre por aquela que tem a grande magia de nos conectar, a música. #NOSVEMOSNOLIVE

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Sobre Samantha Cristina

Samantha Cristina
Jornalista e redatora da equipe WiR em São Paulo. | music is our happiness