21 de março de 2019

Somos e Somamos no Soulvision Festival

Equilíbrio, essa foi a proposta desse ano da Soulvision, equilíbrio entre corpo e alma. Um lugar para se encontrar, para se desprender, se desapegar, conhecer novas experiências e conceitos, expandir sua mente e suas ideias e, principalmente, um lugar para de se reencontrar dentro de si mesmo. Achar seu EquilibriUM.

Esperamos muitos dias para que finalmente sexta-feira, dia 5 de fevereiro, chegarmos em nosso destino, e ali nos abrigaríamos não apenas para um festival, mas sim para uma experiência. Assim desembarcamos no Soulvision, sem filas, sem maiores problemas na entrada. Ao me deparar com o festival, sabia que ali encontraria tranquilidade e energia positiva em todos dias. Então, me desprendi do lado de fora, o mundo real, e me concentrei em viver essa experiência intensamente. Vivi, aproveitei cada minuto intensamente! E vou destrinchar cada detalhe aqui.

Vibe Positiva

LOCAL

Mágico, única palavra que me vem a mente. Como todos os grandes festivais, o local tem que ser algo memorável, aquela paisagem em que você possa se perder nos seus pensamentos ou apenas apreciar o nascer e pôr-do-sol com seus amigos e companheiros de pista. Observar as montanhas à distância numa paisagem limpa ou olhar o céu muito estrelado era uma atração à parte do Soulvision Festival.

Magia
Malabares

DECORAÇÃO

Outro ponto alto do festival foi a decoração, com enfeites por todo o evento, desde a entrada dando boas-vindas e diversas plaquinhas com frases para reflexão e outras com um toque de bom humor. Dragões estavam bastante presentes, tanto no palco imponente quanto na feira mix. A tenda vista de cima era o símbolo mais conhecido para o equilíbrio, Yin-Yang. De noite o palco ganhava vida e era um espetáculo à parte, com a projeção de vídeo e o palco pulsava junto com a música, fazendo um show audiovisual para os fãs de sons noturnos, uma experiência inesquecível.Decor
Só Ria

FEIRA MIX

A feirinha clássica também estava ali presente, seja com os hippies que tem histórias incríveis para contar, vivendo a vida toda em festivais ou as lojinhas. Mas, uma coisa que não se pode esquecer são as pequenas lembranças que se pode adquirir ali: filtros dos sonhos, pintura de rosto, cocares, pedras e diversos acessórios.

CHILLOUT

Good Vibes

Energias positivas, boas risadas, música alternativa, paz de espírito ou apenas dar aquela descansadinha, tudo isso você encontra no Chill Out e na Soulvision não foi diferente. Com toda aquela decoração e ambientação gostosa, que te dá a sensação de estar em casa, entre amigos, esse palco não era apenas para ouvir música e sim era o Yin do main Stage (Yang), onde ambos se completavam. Ali ótimos momentos foram compartilhados, seja entre conversas, amizades ou simplesmente sentado ouvindo um bom reggae. Além de reggae, também teve muita música étnica, músicas pra relembrar a infância e até mesmo Dubstep, Glitch Hop e Trap, vertentes não muito chill, mas que eu por ser um grande fã, aprecio e muito ouvir. Quem entra no Chill Out, se sente renovado e assim que me senti.

CLUB STAGE

Lar dos BPMs mais baixos, onde grandes nomes da cena nacional se apresentaram. Com um soundsystem potente e uma decoração bem criativa, usando pallets pra formar o palco, o Clubinho agradou aos amantes de Techno, House e Deep. Por lá passaram nomes como Re Dupre, Fractal System, Gabe, Luthier, Simple Jack, Rod Fussy e DWU. Porém, a única apresentação que eu acompanhei foi do garoto Illusionize, que levou a pista ao delírio com suas clássicas Bass, Fucking Party e Better Day. Com certeza o Club Stage satisfez a todos que foram para apreciar batidas mais dançantes e envolventes!

MAIN STAGE

Main Stage

Aqui era o templo de dança, onde nós sentimos cada batida, cada energia positiva que ali foi depositada, o solo sagrado do Soulvision foi incrível, transbordava sorrisos, amizades e muita vibe. Aqui se apresentaram diversos artistas excelentes, cobrindo um vasto campo de vertentes do trance. Nem a chuva abalou o dance floor, na verdade aqueles que resistiram durante a chuva, nos proporcionaram um dos momentos mais lindos, quando Earthspace tocou seu remix para Rinkadink e a pista explodiu com uma energia incrível, o DJ não se conteve e chorou, a emoção de ver a pista se entregando foi inexplicável. Vamos aos destaques do Main Stage:

Mr What?
MRW
Talvez a grande atração de todo o festival, particularmente como um grande apreciador de progressive trance, com elementos de techno e com viagens introspectivas, achei uma apresentação memorável. Com uma transição perfeita de sons com bpm mais baixo elevando até o mais fino da psicodelia progressiva, Liran impressionou a todos com sua performance, com um DJ set extremamente bem elaborado que conquistou a pista. Suas faixas têm uma identidade única, tocando diversas músicas do novo álbum, incluindo Carnaval, feita em homenagem ao nosso país.

Capital Monkey
Capital Monkey
Atha já se apresentou inúmeras vezes no Soulvision e em todas surpreendeu, com sua linha mais comercial e inovadora de progressive trance, ele mesclou diversos elementos de outras vertentes, como melodias de house e stabs de electro, inclusive uma nova faixa que possui elementos de complextro. Uma apresentação pra empolgar quem gosta de sons criativos. Tocou diversas faixas novas e clássicas, uma apresentação épica do macaco da capital.

Shekinah
Esse que é um dos grandes talentos que apareceu nos últimos anos, com seu full on groove cheio de elementos diferentes e com uma pegada forte de progressive trance, ele se destacou com seu bassline forte e melodias psicodélicas.

Earthspace
Domingo, quando Earthspace assumiu os decks, a manhã ainda estava bonita, apenas algumas nuvens cobriam o céu que não dava sinais de que a chuva viria. Mas ela veio, e o dancefloor reagiu dançando com toda energia possível, transformando aquele momento em algo mágico. A apresentação dele foi inesquecível com uma hora e meia de psicodelia e muita energia positiva. Encerrando sua performance com com seu remix pra Techmology, Matheus caiu em lágrimas. Memorável.

Bio Babas
Essa apresentação eu não cheguei a conferir, mas ouvi altíssimas recomendações, infelizmente estava exausto e mesmo sendo apreciador de full on night, não consegui assistir, mas quem viu disse que foi uma das melhores apresentações de Night/Dark, com seu som bem orgânico com elementos quase vivos e muitas atmosferas vindas da natureza, os alemães reinaram na noite de domingo.

Psysex
Esse israelense é conhecido pelo seu som que não se caracteriza em nenhuma vertente, é uma mescla de diversos sons, bastante psicodelia e basslines que tremem o chão. Sua apresentação foi bem única, algo que não vemos todos os dias, começando o set em bpms baixos, ele foi aumentando até chegar em 148 e abaixar novamente. Psysex pode ser descrito como único.

Makida
Integrante do projeto Sideform, acabou roubando a cena e tirando o destaque de seu projeto de Prog e se destacando com esse projeto lindo de Full On, mesclando um pouco de Progressive, com Groove e Morning criou o que pode ser chamado de Full On ”Sunset”, um som perfeito pro entardecer, com basslines fortíssimos e melodias alegres e energéticas, trouxe muita nostalgia à pista com os leads de morning e os bassline de groove/prog. Uma apresentação que para muitos foi o grande destaque do festival.

Drip Drop
Uma das noites que eu mais curti foi essa de segunda pra terça, a melhor sequência de Full On Night, foi coroada com Drip Drop, um som psicodélico na medida certa, com basslines retos e muita energia. Sua performance em cima do palco era empolgante, levantando a galera como se fizesse parte da pista.

Element
A tarde tão esperada pelos amantes de Progressive Trance foi iniciada com Marco, um ícone brasileiro e um dos melhores dj set da festa. Controlando a pista de forma impressionante, transitando por diversas áreas do progressive trance, passando por sons psicodélicos e mais introspectivos até culminar no final do set com grandes hits e levantando a pista para a atração que viria depois.

Vini Vici

Aviram e Matam, mais conhecidos com o projeto Sesto Sento, iniciaram o side project Vini Vici. Hoje pode-se dizer que Vini Vici já é o projeto principal deles. Com uma sonoridade única, pra mim foi o grande nome junto de Mr What no progressive. Aviram levantou o público de uma maneira que ainda não tinha visto, com muita alegria em cima do palco, como se fosse a primeira vez tocando. Mandou clássicas como Anything & Everything, Namaste, Veni, Vidi, Vici e o ápice foi com os hinos atuais da cena: Free Tibet e The Tribe, na qual ele e o grego Hi Profile fizeram o famoso sit down com a pista. Seja mainstream ou seja underground, o que vale é a música e nisso Vini Vici deu um show!

Hi Profile
Hi Profile
O grego famoso por sua performance em cima do palco, já tinha chamado o público durante a apresentação anterior, e ele mostrou a que veio, indo pra frente do palco e animando mais ainda a galera. Com seu estilo grego de produção batidas e basslines quebrados e muita melodia inspirada no trance europeu, ele fez mais uma apresentação linda, que atingiu o ápice com o remix de Closer To Heaven.

Zyce
Zyce
Dispensa apresentações, em todos eventos que eu vi sua apresentação, ele se destacou. Simples. O sérvio dono da gravadora TesserAct criou um estilo próprio no limite entre o som sério e o som mais alegre e melódico, agradando tanto os mais exigentes, quanto os que gostam de sons mais comerciais. Zyce mais uma vez levou a pista com maestria tocando clássicos como Apollo 13 e Anjuna. Mais uma apresentação marcante desse ídolo que já conquistou todos nós.

Magma Ohm
Se existe um nome de HiTech/Dark que pode ser considerado unanimidade é Magma Ohm. Atraindo atenção até dos que não são muito fãs de BPMs bastante elevados, Carlos Lessa é um dos nomes que você tem que ver pelo menos uma vez, e depois que ver, vai acabar se ”assimilando”. Mandando sua linha insanamente rápida ele conquista a atenção principalmente por seus elementos esquisitos. Usando elementos futurísticos nas suas faixas, ele sempre se destaca nos sons noturnos.

4i20
Uma das grandes surpresas do Line Up, o brazuka Tiago Sena já vinha se destacando bastante, porém ainda não tinha visto nenhuma apresentação com seu projeto 4i20. Com a linha de Future Prog, mesclando com bastante reggae e muito som inovador, foi com certeza um dos destaques do festival. Mesmo com uma linha bastante comercial, agradou muito os guerreiros que ainda estavam no último dia do evento.

Moon
Essa mexicana, que já tem sangue brasileiro, ficou encarregada de encerrar o Soulvision. E cumpriu com honra essa tarefa. Iniciou com um remix da Ronders do Wrecked Machines, o que levou a todos pensarem: Será que o Wrecked vai tocar? (Gabe perdeu o voo e não conseguiu se apresentar) Mas não, era Moon, que assumiu as pick ups e fez uma apresentação que valeu a pena ficar até o último segundo na pista. Com sua energia cativante, manteve a pista dançando até o final da sua apresentação, assim encerrando o festival.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após os cinco dias de Soulvision, estávamos gratos e satisfeitos. Desde o momento que colocamos o pé ali, sabíamos que seria uma experiência única, e assim foi! Cada momento, cada amizade, cada vibração da pista, cada paisagem, cada risada, cada apresentação estará guardada não só em registro mas em nossos corações. O festival foi impecável, line up sensacional, palcos muito bem montados, estrutura linda, decoração tanto diurna quanto noturna fenomenal, sound system potente e extremamente bem equalizado, todas frequências batendo limpas sem exageros. O público foi um grande diferencial, todos estavam na mesma sintonia, com um sorriso no rosto, dispostos a dividir um momento, uma conversa ou uma risada, dance floor limpo, ou seja, lixo no lixo! Os banheiros foram ampliados, com ducha quente, ou seja, foi um festival pra ser lembrado.

favoravel

E para vocês que ainda querem uma experiência mais aprofundada, aqui vai o relato da Thais Scodelario, que me ajudou na cobertura e estava indo pela primeira vez em um festival de trance e escreveu como foi:

Sempre amei Progressive Trance, porem só frequentava raves, não tinha coragem em me aventurar em festas mais longas. Pois bem, o dia chegou e eu precisava daquilo e fui. Dia 05/02, uma sexta feira ensolarada, tinha acordado feliz estava tudo pronto, entrei no clima , chegamos la e adivinha? CHUVA, não conseguimos montar nossa barraca, ficamos mais de 3 horas na madrugada fria, amanheceu e desistimos, mas quem tem amigos tem tudo, encontramos alguns que nos ajudaram e nos “acolheram”, ainda cansada não curti muito o sábado, a não ser pela apresentação deMr. What que tocou no dia errado, ainda bem que conseguimos ver ele, fiquei feliz de vê-lo, mas logo fui descansar. Domingo amanheceu meio nublado porem estava de coração aberto para ver o que tinha a me oferecer esse tal FESTIVAL,fui pra pista e cada vez mais empolgada fui vendo que realmente ali era diferente, ainda não sabia o quê, porém dançando ao mesmo ritmo que todos ali presentes fui ficando mais e mais feliz. Novamente a chuva veio nos visitar, mas era diferente, agora estávamos todos na mesma vibe e a galera dançando na chuva, os djs estavam representando, aquele cheirinho de terra molhada, era só felicidade. Acabou o domingo e eu já estava alegre, mas não totalmente convencida, chega a segunda fiquei pouco na pista e resolvi conhecer o CHILLOUT entre outros entretenimentos. Botei os pés no chilla e uma onda de energia boa transborda em meu corpo. Fiquei algumas horas, o suficiente pra curar qualquer energia ruim. Andando mais um pouco me apaixonei pelas artes expostas, conversei um pouco com os vendedores e realmente é inexplicável o amor com que cada um faz aquilo, pessoas do bem fazendo o que gostam, o mundo precisava de um workshop com eles, sério! Após essa jornada fui curtir o pôr do sol na pista, escolha correta, cheguei e fiquei só observando as pessoas, a vista, o sol nos contemplando com sua beleza, os sorrisos, a música. QUE VIBE! Fechei os olhos e agradeci por estar vivenciando isso. Um sentimento enorme de gratidão tomou conta de mim. Passando por essa segunda-feira maravilhosa chega o dia mais esperado pra mim, o line-up de prog da terça-feira estava de tirar o fôlego: ELEMENT, HI-PROFILE, VINI VICI, ZYCE. Já estava 75% convencida que ali realmente era meu ponto de paz, chegamos na pista e a energia estava incomparável, pulei a cada set, sorri, me emocionei, a gentileza das pessoas, a mesma conectividade era surreal. Após essa sequência fui descansar, subindo pra barraca olhei para o chão, estava do mesmo jeito que estava no sábado quando o vi, limpo, parecia mentira. Foi especial, foi lindo, foi mágico, voltei pra casa e chorei antes de dormir, algo tinha mudado em mim, depois desses dias com pessoas maravilhosas, em um festival espalhando coisas boas, conscientizando, sem falar os amigos que fiz, vou levar pra vida. Preciso parabenizar a decoração da festa, estava demais tanto de dia quanto pela noite, cada detalhe, cada plaquinha com frases divertidas. À organização da Soulvision, obrigada a todos que fizeram esses dias os melhores da minha vida, foi demais, até a próxima e que venha mais e mais festivais perfeitos como este. Gratidão!

Se você quiser também participar e ajudar escrevendo relatos de eventos, nos procure em evento. Sempre que estivermos com tempo estaremos de braços abertos pra escrever relatos e dividir momentos!

Agradecemos do fundo do nosso coração o apoio e oportunidade que nos foi dada para cobrir o Soulvision Festival, toda organização envolvida que se entregou para oferecer pra todo o público essa experiência única merece nossos parabéns por esse evento fantástico e nosso muito obrigado mais uma vez. E um agradecimento especial ao Fabiano pelo apoio e sempre estar dando o melhor de si, para nos oferecer sempre o melhor também!

Com essas conclusões, só nos resta aguardar a próxima Soulvision com o tema ”Eu Soul” que irá acontecer durante o carnaval de 2017, de 25 de feveiro até 01 de março!

Matéria: Daniel Nakanishi
Relatos: Thais Scodelário
Fotos por: Helen Guedes

Sobre Redação WiR