Tomorrowland Brasil: a maior saudade dos brasileiros

Em 2014 o TML Brasil foi anunciado ao vivo diretamente do Tomorrowland Bélgica pelo David Guetta. Todos que estavam assistindo a transmissão pelo computador, celular ou no parque Villa Lobos em São Paulo pode-se dizer que foi de arrepiar. A reação dos brasileiros que estavam durante o Mainstage nesse momento foi surreal. O Brasil ser representado de uma forma tão grandiosa é inesquecível para os fãs de música eletrônica.

O Tomorrowland Brasil teve duas edições, localizado em Itu no estado São Paulo, no ano de 2015 e 2016. E por motivos financeiros o festival não deu continuidade, mas nossa esperança ainda não morreu. Essa matéria é dedicada para todos os fãs do festival, da música e para os que foram e que se enchem de alegria ao falar desses 3/4 dias incríveis no festival.

PRIMEIRO RELATO:

Felipe Monteiro

Me chamo Felipe Monteiro, sou de Ibia – MG e tenho 26 anos. Eu conheci a música eletrônica em 2010, e o Tomorrowland em 2011, assistindo um set do David Guetta no YouTube. Eu estava na rua com os meus amigos, sai correndo pra minha casa e fui entrar no site para ver se realmente era verdade, quando eu entrei no site eu vi que tudo era real, cheguei a chorar de emoção. Antes de começar a venda eu estava super ansioso e com medo de não conseguir comprar, foi maior sufoco durante as vendas de 2015, da minha turma somente eu que consegui comprar Easy Tent, o resto dos meus amigos conseguiram somente regular. Em 2016 todos os meus amigos conseguiram comprar antes de mim, eu já estava quase desistindo de comprar, até que depois de 80 minutos o site liberou pra eu comprar. Momentos que vão ficar para sempre em minha memória: A primeira vista do The Book of Wisdom, foi lindo ver aquele palco enorme, com toda aquela magia e decoração. O acampamento, as amizades que eu fiz no Tomorrowland são amizades que eu levo até hoje é levarei para sempre. CADÊ A CAROOOOOOOL! E, de repente, a gente acorda com saudade do fim de semana. E, de repente, todas as outras festas, baladas e “boates” perderam a graça. E, de repente, parece que foi tudo um conto de fadas. E será que não foi? Deve ter sido, porque quando cheguei ouvi “Let the Fairy Tale begins”, e o livro falante chamava a plateia de “Fairy Tale Keepers”. Fairy Tale é um termo que faz jus a tudo o que vi e vivi no fim de semana. Uma amiga chamou de “Disney para Adultos”. Também faz sentido, só que sem brinquedos e com música eletrônica. Música não, eram mantras, que ficavam na nossa cabeça o tempo todo. O Tomorrowland foi uma experiência inesquecível. Talvez a melhor da minha vida. Um evento fora dos padrões que estamos acostumados a ver por aqui. A preocupação da organização com cada detalhe, banheiros limpos, COM PAPEL, sabonete líquido, água quente… O jornal de manhã com fotos da noite anterior, a educação dos funcionários… Tudo feito com todo carinho pra gente. Som, iluminação, cenografia, projeção, tudo impecável, feito “pra tirar a gente da realidade”, como disse outra amiga minha. E a sintonia? Até o cara que “soltava os fogos” sabia a hora certa de fazê-lo. E explodia tudo junto. A música, os fogos e o coração da gente. E o palco? Pagaria pra ter uma miniatura daquilo no meu quarto. Mas que também soltasse água, fogo, fumaça… Melhor ainda se repetisse os sets do Hardwell, Aoki, Guetta, Armin, DV&LM, etc. Hoje acordei com um vazio. Se lá na “Terra do amanhã” eles fizeram tanta mágica, porque não inventaram um botão pra gente voltar pra quinta-feira passada? Ou um botão que levasse a gente direto pra 21 de abril de 2016? Só o que sei é que fizemos história. O Brasil entrou para a história da música eletrônica. Escrevemos um capítulo no ‘Book of Wisdom’, por aqui, tem mais gente preocupada em falar do cara que morreu e estava com uma pulseira da festa ou do celular do outro que foi roubado, ou do outro que usou droga, como se numa festa pra 180 mil pessoas, NADA pudesse dar errado. Daí você volta pra “realidade” e vê gente xingando no trânsito, fechando o outro, furando fila. Lá na Terra do amanhã não tinha isso. Poderia ser verdade que no amanhã isso tudo não vai existir. E chamam as pessoas de lá de “loucos”. Quem será mais louco? WE ARE ONE, WE ARE TOMORROWLAND.

SEGUNDO RELATO:

Diego Carvalho

Me chamo Diego Carvalho, tenho 29 anos e sou morador do Rio de Janeiro. A paixão pela música eletrônica surgiu na adolescência, quando o rádio era febre com a Jovem Pan e o Summer Eletro Hits, era o cd certo a se tocar no discman ou em casa no volume máximo. Com essa paixão crescendo fui conhecendo diversos artistas e festivais e um deles sempre estava em mente: TOMORROWLAND. Era mágico ficar na frente do computador assistindo aos shows e sonhando um dia estar lá em Boom, Bélgica. Daí em 2014 no encerramento de mais um festival, o David Guetta pega o microfone e diz “Brasil, Tomorrowland está indo até você”. Em seguida surgiu a página Tomorrowland Brasil com datas para 2015 e eu não sabia conter minha emoção. Corri para o quarto da minha irmã e fui contar e ambos não acreditavam no que estavam assistindo e lendo na internet. Deu-se inicio a missão “comprar ingresso” e economizar também. Passamos horas na fila online pra conseguir até que uma amiga teve a sorte e comprou todos os necessários (estávamos em 5 pessoas). Mais uma vitória que foi muito comemorada. Após quase 1 ano de preparação chegou o grande dia da abertura e caminhar em direção ao Book of Wisdom era mágico. Parecia que estávamos em outro local. A alegria do local era contagiante. A energia que se sentia era algo jamais experimentado. Nós curtimos das primeiras até as últimas horas. Foi mágico e emocionante. Cada dj dessa primeira edição foi especial. Eu sempre digo pra qualquer um que goste do Tomorrowland:  “VÁ! Você não irá se arrepender. Seja por 1 dia ou 3 dias. Acampando ou fazendo bate e volta. Apenas vá!”. Tomorrowland no Brasil em sua primeira edição foi mágico. Não existe outra palavra que melhor defina.

TERCEIRO RELATO:

Aécio

Meu nome é Aécio, sou de Recife, comecei meu interesse por música eletrônica dançando Shuffle, uma dança underground da Austrália, no final de 2009, onde conheci o Hardstyle. Desde então só me liguei cada vez mais em música eletrônica, através por exemplo do Tomorrowland que conheci justamente num domingo qualquer vendo o Pânico na TV, de cara me apaixonei pelo festival e toda sua magia de reunir pessoas do mundo todo em prol da coisa que mais amo que era a eletrônica, era como se fosse um paraíso onde tinha o que eu mais gosto, cercado de loucos que amam aquilo tanto quanto eu. Quando descobri que ia rolar um Tomorrowland no BRASIL não pensei duas vezes “o sonho pode ser realidade”, não medi esforços em realizar isso, mandei mensagem no Whatsapp em todos os grupos perguntando quem topava, meu amigo falou que ia, ainda me lembro de eu indo na correria pra chegar na casa dele na correria pra estar lá antes de meio dia que foi quando os ingressos iam começar a ser vendidos, entramos em dois notebooks e um computador atualizando sem parar a pagina pra conseguir nossos ingressos. Assim que entrou compramos logo tudo parcelado no cartão da mãe dele sem pensar duas vezes, foram 5 meses juntando muita grana pra estar lá, e valeu cada centavo. Ainda me lembro, da atmosfera no aeroporto cheio de gente esperando o busao pra ir pro TML, logo na fila do transfer conhecemos “O rasta”, um brother que simplesmente fizemos amizade na hora e já saímos fazendo bagunça no busão, decidimos por fim, “morar” perto dele na Dreamville, logo ele, que tinha um grupo de pessoas que foram sozinhas para o festival e logo, chamou seus amigos, também até então desconhecidos para se juntar a nós e fazer nossa vilinha no festival, cheio de gente de todos os lugares do Brasil. Tinha cearense, baiano, mineiro, morador ali mesmo de Guarulhos, cariocas, e nós (eu e Otavio) de Pernambuco. Do nada já começamos a nossa vivencia em família indo todos juntos para o “The Garthering” fritar. No show de Coone por sinal, destruição, fui até no palco da Q-dance pedir bis pra ele no sábado senão me engano. A vibe da Dreamville sensacional, com quantas e quantas pessoas aleatórias e eufóricas eu não me encontrei, hein!? Meu Deus, foi fantástico, primeiro dia antes de abrir os portões puta que pariu, parecia que ia acabar o mundo, assim que entramos nos perdemos, fudeu tudo, era um lugar imeeeeeenso, passei então minha saga sozinho em conhecer todos os palcos, foi uma saga fantástica, desgastante, mas valeu demais, e a indecisão de em qual palco ficar? Qual set ver? Mas sério, saudades do palco da Q-dance e do Smash the House, sensacionais, fora o mainstage que nunca decepcionava. O Tomorrowland é o sonho, o paraíso, o encontro mundial da música eletrônica tipo uma copa do mundo sendo que quem ganha somos todos nós, é fantástico, os quatro dias passaram voando, quando acabou não quis acreditar, FOI MUITO RÁPIDO! Inclusive voltei em depressão, saí dos grupos, foi complicadíssimo a separação mas essa foi minha experiência, a melhor de todas.

QUARTO RELATO:

Daiene Cardoso

Me chamo Daiene Cardoso, 25 anos, sou do Rio de Janeiro. Quando eu tinha 10 anos, sempre escutava cds que a minha mãe ganhava da Jovem Pan. Toda vez que eu ouvia, eu me imaginava em alguma festa e sentia uma energia muito boa, e uma sessão de felicidade. Na adolescência eu escutava muito Summer Eletro Hits, baixava várias músicas e assistir vídeos no Youtube. E sempre que tinha qualquer evento na cidade em que eu morava, se tivesse tenda eletrônica eu só queria ficar lá. Mas eu nunca imaginei que 12 anos depois, eu iria me apaixonar completamente pela música eletrônica, e que ela mudaria a minha vida. Fui saber sobre o Tomorrowland Brasil já em fevereiro de 2015, eu estava começando a ir em festivais de música eletrônica, meu amigo me chamou, e claro que eu topei, então compramos os ingressos para o primeiro dia (sexta-feira), e fizemos um bate e volta. Mas quando eu comprei os ingressos foi uma euforia, porque antes de comprar eu tinha visto todos os aftermovie, e fiquei muito animada. Foram meses de muita ansiedade, porque eu entrei em vários grupos do Tml Br no Facebook e no Whatsapp, então foi aquela loucura todo mundo animado para conhecer o festival, e também se encontrar lá. Já em 2016, quando anunciaram foi uma loucura também, sai correndo da faculdade para conseguir comprar os ingressos, e depois a ansiedade para chegar a treasure case. Era uma mistura de ansiedade com felicidade eu não via a hora de viver aquele sonho novamente. Um momento que eu nunca vou esquecer foi do primeiro Tomorrowland Brasil. E que ficou registrado no aftermovie de 2015. Conseguiram capturar o exato momento em que eu estava contemplando a beleza e a energia do festival. Foi no set do Steve Aoki, eu subi no ombro de um amigo, para filmar o palco, quando eu subi e olhei para todos os cantos, e vi uma multidão, aquelas luzes, olhei para o mainstage aqueles livros enormes. Eu comecei a me emocionar, e nos meus pensamentos eu dizia: “Não acredito que eu estou aqui, que sonho!”, peguei meu celular para filmar, e foi quando soltaram os fogos, meus olhos se surpreenderam com tudo aquilo que eu vi e senti. Foi um momento mágico, foi ali que eu voltei a viver. Depois que fui na primeira edição minha vida não foi mais a mesma. Na segunda edição foi tudo mais intenso, eu curti o festival por 5 dias, fiquei acampada no Dreamville, fui na festa de boas vinda no The Gathering e vivi a experiência completa do festival. Foi incrível acordar e curtir 5 dias com meus amigos que conheci através do festival e conhecer novas pessoas. A estrutura parecia um sonho, o local tinha uma energia surreal, tudo parecia ter saído de um conto de fadas pra mim. Os palcos nunca tinha visto nada tão grandioso, cada palco tinha a sua magia. Os Djs, transmitia mais energias boas para o público. Não consigo descrever o quanto mágico é o Tomorrow, cada detalhe fazem o festival algo único. O Tomorrowland mudou a minha vida completamente, me trouxe esperança que a vida é maravilhosa é que temos que vive-la da melhor forma possível. É algo mágico. Tomorrowland é mais do que um festival de música. É uma viagem… Você tem que ir até lá, tem que vivê-lo. Você tem que ver com seus próprios olhos. Senti-lo com seu próprio corpo e alma para entender.

QUINTO RELATO:

Ray Bachi

Olá me chamo Ray Bachi, tenho 26 anos e do Rio de Janeiro. Quando comecei a gostar de musica eletrônica na verdade foi através do Avicii, eu acho que grande parte das pessoas começaram a gostar de eletrônica através dele. Porque ele foi meio que uma ponte para vários outros djs, e outras vertentes, vai no fluxo. Mas eu ouvia e não tinha aquela vontade de ir a um festival, eu achava que era muito legal mas não tinha noção de festival, de festa, de nada. Mas comecei a namorar uma pessoa, e ele gostava de Hardwell, Armin, Tomorrowland, etc. Então ele botava os HOA, ASOT no Youtube e a gente ficava ouvindo. E daí eu comecei a pesquisar, gostar e me interessar. E quando ele me apresentou Tomorrowland eu comecei a baixar sets do Tomorrowland, sets do Hardwell na época.E então foi a partir dai que eu comecei a me interessar em ir para as festas, fui ao RMC ver o Armin, e alguma festa em 2014 que tinha o Hardwell e daí surgiu todo o lance de eu querer conhecer os djs, e o fato de eu pintar, fazer varias pinturas, me deu acesso de eu conhecer esses djs. Não era apenas “eu quero tirar uma foto” mas “Eu quero entregar um quadro” pois dava um peso, e a produção do Dj se interessava em o artista receber. Em 2014 durante da copa do Brasil, eu ia pra Copacabana ver os jogos e usava hashtags em minhas fotos como: #Tomorrowcopa, #Copaland porque tinha muita gente de vários países e tal, e íamos para lugar que tocava música eletrônica. E daí no final da copa eu lembro que fizeram até uma piada falando que já que os Belgas estavam aqui, poderíamos fazer um Tomorrowland. Eu lembro de ter postado isso no Instagram e no Facebook, e umas semanas depois eu estava no computador e fiquei: “Tomorrowland no Brasil? Não, não acredito”. Foi no dia que o Guetta anunciou e eu não tinha muitos contatos para me avisar antes, na época eu fiquei sabendo na hora que o David Guetta anunciou. Quando eu vi todos os sites anunciando, e até mesmo um site do TML Brasil disponível anunciando o dia da venda dos ingressos foi uma ansiedade. Na época eu nem sabia como ir, não tinha dinheiro mas eu ia, eu sabia que eu ia. Fiquei esperando 3 horas na fila do site pra conseguir comprar. Fui na edição de 2015, e 2016 então não posso falar qual foi o melhor de todos, eu vivi duas experiências completamente diferente. Na primeira fui namorando, e na segunda fui solteira, sozinha, cabelo colorido, toda RAVER, totalmente diferente. A primeira teve o The Book of Wisdom, todo mundo realizando um sonho de estar vivendo aquilo pela primeira vez ali, e aquele palco enorme, maravilhoso, MEU DEUS! E todos os djs que eu ouvia em casa estava lá tocando na minha frente. Deorro, Hardwell, Nicky Romero, essa galera toda da EDM. Não consigo ver momentos específicos bons, pois todo o tempo lá foi bom e inesquecível. Não há um momento pra escolher, não tem tempo ruim lá. Na segunda edição, já conhecia um mundo de gente, tirava foto e falava com todos e fiz amizades até hoje, peguei Easy Tent também e estava super feliz que era meu aniversário, até entrevista fui. Na The Key of Happiness no primeiro dia fiquei no palco do Ferry, e foi simplesmente MARAVILHOSO, não dá pra esquecer de nenhum momento. O único problema que tive lá foi apenas em uma situação onde uma menina queria tirar foto onde eu estava e veio com arrogância, e me empurrou e já queria brigar pois ela vazia luta. Pessoa doida, né? A pessoa vai pra um festival pra curtir uma vibe boa e daí vem querer brigar, enfim… A mensagem que eu passo a todos que me perguntam como foi, é simplesmente: Tente ir na Bélgica, uma vez na sua vida, você tem que ir. Porque é uma experiência maravilhosa, e olha que eu nunca fui na da Bélgica ainda, pois eu sei que uma experiência totalmente diferente. Tem mais gente, mais palcos, mais djs, são 2 semanas, então a parada é mais intensa. Já estou me preparando para ir as 2 semanas, não me contento com uma, simplesmente não dá. Mas em resumo a minha mensagem é VÁ! O Tomorrowland significa pra mim um lugar onde eu pude me abrir pra muita coisa, em questão musicalmente falando, e em questão sociais também. Em ver que todo mundo ali está na mesma vibe no mesmo clima tirando uns e outros, mas todo mundo realizando um sonho mesmo indo pela segunda ou quarta vez porque você se sente em casa, sabe? Mesmo não conhecendo as pessoas, você sente que todos são seus amigos, tá todo mundo unido pela música, e especialmente pela música eletrônica. Uns podem ser mais do House, mais do Trance, mais do Techno mas todos estão pela música eletrônica. Tomorrowland é liberdade, eu poderia ser quem eu quisesse ser, com meu cabelo colorido sem ninguém me achar estranha, e sem o padrão que a sociedade prega. Lá as pessoas curtem mais, dançam mais e reparam menos.

Matéria por: Ianne Souza.