16 de agosto de 2017
The Chainsmokers foram uma das grandes atrações da primeira noite de Lollapalooza Brasil 2017
Foto: reprodução/Lollapalooza Brasil

O que a grande mídia precisa entender antes de atacar a música eletrônica

A grande mídia tem a estranha mania de perseguir a música eletrônica no Brasil há tempos, fato que se constata nas inúmeras manchetes sensacionalistas ou ainda nas que atacam diretamente o gênero e seus artistas. Seja promovendo estereótipos negativos, rebaixando o trabalho de DJs/produtores ou denegrindo eventos injustamente, vemos constantemente manchetes de grandes veículos de comunicação se dando ao trabalho incansável de promover uma ideia ruim sobre a música eletrônica no nosso país.

Baseando-se muitas vezes em argumentos incoerentes e contraditórios, essas “notícias” se distanciam da realidade e quem realmente perde com isso é o público. A última “grande cartada” foi a matéria do G1 que afirmou que o duo The Chainsmokers roubou o público do Metallica no Lollapalooza Brasil deste ano, o que despertou uma sensação de desrespeito e soberba perante toda a cena eletrônica.

Um lineup recheado de DJs foi uma das apostas do Lollapalooza Brasil deste ano, que bateu o recorde de público de todas as edições no país.

Nesta matéria torna-se óbvio o nível de mal caratismo do autor. Nenhum DJ é mágico para ficar fazendo “truques”, e não se rouba público de ninguém, existem pessoas que foram pra ver Metallica e existem pessoas que foram pra ver The Chainsmokers e é necessário respeitar o gostos de todos.

Nas duas edições do Tomorrowland Brasil, o portal UOL encheu seu site de notícias sensacionalistas sobre o festival, além de, ao final, produzir um review totalmente tendenciosa contra o mesmo, no entanto, o que levaria um site tão conceituado se rebaixar a tanto? Outro caso foi o da Jovem Pan sobre o festival Dekmantel São Paulo que praticamente “demonizou” o evento e seus frequentadores e teve uma resposta à altura da revista Phouse. Coisas como essas costumam acontecer, mas não podemos deixar passar batido.

Agora vamos pensar qual o grande motivo pelo qual a imprensa tem atacado de todas formas a música eletrônica. A mídia no geral está morrendo, a forma como consumimos nossas notícias está mudando drasticamente, nós já não lemos jornais, não assinamos revistas e mal assistimos televisão, isso assusta a mídia “moderna”, o que vos leva ao chamado “desespero por clicks”, onde eles não se importam mais com o conteúdo e sim com títulos chamativos e matérias agressivas que podem denegrir ou desrespeitar a imagem de alguém ou no caso da música eletrônica, uma cena inteira.

Chegamos ao ponto de que sabemos o real motivo por trás dessas matérias sem fundamento e tão apelativas, mas qual o motivo de atacarem a música eletrônica? Porque nós somos a grande vertente do século, nós movimentamos a indústria musical, chegando a movimentar quase 10 bilhões de dólares no cenário da música, com artistas que recebem cachês imensos como Calvin Harris, David Guetta, Tiësto que chegam a ganhar milhões ao ano e conquistam o mundo inteiro. Os grandes hits da música eletrônica batem os bilhões de plays, artistas do Pop cada vez mais se integram no mundo da eletrônica e agora até mesmo artistas do Rock como Linkin Park também estão aderindo à onda. Nós somos o grande estilo musical a ser respeitado. E isso assusta, principalmente à mídia “clássica”, que claramente parou no tempo. E a mídia sabe que a cena eletrônica cresceu, não somos mais apenas os excluídos, somos a grande maioria, por isso agora eles focam tanto em críticas a matérias sensacionalistas sobre nossa cena, pois isso vai gerar cliques. A grande dica é evitar ao máximo acessar essas matérias sensacionalistas que tentam denegrir nossa cena, pois eles querem isso, ganhar mais divulgação gerando discórdia.

Veja também: Lollapalooza Brasil 2017 bate recorde de público do festival no país.

Artigo elaborado por Isac Moura e Daniel Nakanishi.

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Sobre Isac Moura

Isac Moura
Cearense e amante da boa música, escritor, poeta, programador, empreendedor e DJ nas horas vagas. Não tem um estilo preferido, ouvindo desde o mainstream ao underground.